REUTERS/Kyodo
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Juiz dos EUA condena Coreia do Norte a pagar US$ 500 milhões por morte de jovem

País asiático, porém, não teve representação legal no julgamento e é pouco provável que pague a indenização pela morte de Otto Warmbier

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2018 | 23h06

WASHINGTON - O juiz federal Beryl A. Howell, do Distrito de Columbia, condenou a Coreia do Norte a pagar uma indenização de US$ 500 milhões à família do americano Otto Warmbier, na segunda-feira, 24. Ele morreu em junho de 2017 depois de ter entrado em coma enquanto estava preso no país asiático.

"A Coreia do Norte é responsável pela tortura, tomada como refém e assassinato extrajudicial de Otto Warmbier. E pelos problemas enfrentados por sua mãe e seu pai, Fred e Cindy", determinou o juiz, que considerou que o jovem tinha "grandes sonhos" quando viajou para o território norte-coreano.

O estudante de 22 anos foi detido na Coreia do Norte enquanto visitava o país como turista e foi condenado a 15 anos de trabalhos forçados por tentar roubar um cartaz de propaganda política do hotel em que estava hospedado, em Pyongyang, o que o governo norte-coreano considerou um "ato hostil" contra o Estado. Os Estados Unidos conseguiram a liberação do jovem em junho de 2017.

Quando retornou ao seu país natal, o jovem já estava em coma havia mais de um ano. Ele entrou nesse estado pouco depois da sua última aparição em público, durante o seu julgamento em Pyongyang, em março de 2016. 

As autoridades norte-coreanas argumentaram que Warmbier sofreu um surto de botulismo e que lhe deram um remédio para dormir, e que ele nunca mais acordou. No entanto, os médicos de Ohio, onde ele estava internado, informaram em nota que não foram encontrados sinais da doença no jovem. 

A família não aceitou a versão das autoridades norte-coreanas e entrou com um processo na justiça americana pedindo US$ 1 bilhão de indenização pelos danos causados. À época da morte, a família do jovem divulgou um documento afirmando que Warmbier “não podia falar, não podia enxergar e não era capaz de reagir a comandos verbais” quando foi repatriado.

A Coreia do Norte não tem representação legal no julgamento, segundo os documentos judiciais, e é pouco possível que chegue a pagar a indenização. /EFE

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