Juiz espanhol decreta liberdade provisória de Isabelita Perón

O juiz espanhol de Audiência Nacional Juan Del Olmo ordenou na noite desta sexta-feira a liberdade provisória da ex-presidente argentina María Estela Martínez, 75 anos, detida nesta tarde em sua residência em Madrid. Conforme a decisão, a viúva do presidente Juan Domingo Perón deve apresentar-se a cada 15 dias à Justiça.Isabelita Perón, como ficou conhecida, foi conduzida de sua casa, em um rico subúrbio de Madri, por agentes da Comissão de Polícia Jurídica, que a detiveram e a colocaram sob guarda da Justiça. A detenção foi acatada pelas autoridades espanholas depois do envio, por meio da Interpol, de uma ordem de prisão expedida por um juiz argentino. Ela está sendo investigada pela suposta conexão com o desaparecimento de um militante de esquerda um mês antes do golpe militar que a retirou do poder em 1976. Ordem de detençãoA ordem de detenção se baseia na assinatura de três decretos presidenciais de 1975 que abriram as postas para que as Forças Armadas argentinas aniquilassem "elementos subversivos", informou a agência de notícias EFE. O juiz argentino Raul Acosta, que investiga o caso, disse que irá interrogar a ex-presidente sobre os 20 conturbados meses em que ela esteve no poder, um período marcado pela violência promovida pela direita e que conduziu o país a um dos mais sangrentos regimes militares da América do Sul.Isabelita foi levada pelas autoridades à Corte Nacional, onde conheceu o motivo de sua detenção por meio de um juiz espanhol.Sobre a ordem de prisão, o governo argentino manifestou-se nesta sexta-feira dizendo que "não haverá pactos de impunidade" para os casos de terrorismo de Estado praticados durante a gestão da viúva do ex-líder argentino. Morto em 1974, Juan Perón continua sendo uma das figuras mais influentes na política argentina, e foi o fundador do Partido Justicialista, do hoje presidente Néstor Kirchner. "Nós queremos reconciliação, mas com verdade e sem impunidade. Por isso, temos que conhecer a verdade, seja ela qual for. E não deve haver impunidade a ninguém", disse Kirchner após ficar sabendo da ordem de detenção.

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