Judi Bottoni/AP
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Apelação bloqueia libertação de ex-Pantera Negra preso há 43 anos

Albert Woodfox, de 68 anos, foi condenado duas vezes pela morte de um agente penitenciário, mas as sentenças foram anuladas

O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2015 | 14h49

NEW ORLEANS, EUA - (Atualizada às 19h05Uma corte federal de apelações dos EUA bloqueou nesta terça-feira, 9, temporariamente a libertação de Albert Woodfox, o último dos Panteras Negras presos conhecidos como “Três de Angola”. A decisão foi tomada após o juiz James Brady ordenar a libertação de Woodfox e proibir a promotoria de acusá-lo novamente pelo assassinato a facadas de um agente penitenciário durante uma rebelião em abril de 1972. Brady havia afirmado que, além de ser solto imediatamente, o ex-líder Pantera Negra não deveria passar por novo julgamento em razão da morte do agente penitenciário.

"O único remédio justo é um recurso incondicional de hábeas corpus que proíba um novo julgamento do sr. Albert Woodfox e o liberte da prisão imediatamente", escreveu o juiz. Em sua sentença, Brady colocou em dúvida a capacidade de o Estado realizar um "terceiro julgamento justo", além de apontar como fatores para sua decisão a idade avançada e a saúde frágil do preso, a falta de testemunhas, "os danos causados ao sr. Woodfox ao mantê-lo preso por 40 anos" e "o fato de o condenado já ter sido julgado duas vezes".

Woodfox foi mantido em uma cela de isolamento durante 43 anos. Ele foi acusado, junto com outros dois presos, pela morte a punhaladas de Brent Miller, então com 23 anos, um guarda da penitenciária estadual da Louisiana - conhecida como Angola. Miller foi morto durante um motim promovido pelos Panteras Negras que reivindicavam melhores condições para as prisões do Estado.

A Anistia Internacional e a ONU já condenaram a prisão de Woodfox, considerada desumana. Defensores de direitos humanos argumentam que o isolamento por um período tão longo é uma forma de tortura. Woodfox foi condenado em dois julgamentos, mas as sentenças foram anuladas por prejuízo racial e falta de provas.

O secretário de Justiça de Louisiana, James "Buddy" Caldwell, apelou contra a ordem do juiz federal. Segundo um porta-voz de Caldwell, a libertação de Woodfox "colocaria em liberdade um assassino condenado duas vezes". 

Os outros dois Panteras Negras presos com Woodfox, Robert King y Herman Wallace, foram soltos em 2001 e 2013, respectivamente / AP e EFE

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