Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP

Juiz indicado por Trump à Suprema Corte e mulher que o acusa de assédio depõem no Senado

Desafio de Brett Kavanaugh será evitar atacar a psicóloga que o acusa de abuso sexual ao mesmo tempo em que se defende; por outro lado, Christine Blasey Ford será interrogada por um promotor acostumado a lidar com crimes sexuais

O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2018 | 10h14

WASHINGTON - O Senado dos Estados Unidos interroga sob juramento nesta quinta-feira, 27, o juiz conservador Brett Kavanaugh, indicado pelo presidente Donald Trump à Suprema Corte, e a psicóloga Christine Blasey Ford, que acusa o magistrado de ter abusado sexualmente dela quando ambos eram adolescentes.

Em certa medida, a carreira deste juiz de 53 anos está em jogo nesta audiência, que será transmitida ao vivo por emissoras de TV em todo o país e no exterior. Se Christine conseguir convencer a todos de sua versão, o próprio presidente já afirmou que poderia abrir mão de sua indicação e propor outro nome para a vaga no tribunal.

Até agora, no entanto, apesar de as denúncias contra Kavanaugh se multiplicarem - já são ao menos três mulheres que o acusam publicamente de abuso ou comportamento inapropriado -, Trump mantém seu apoio ao magistrado.

Para analistas, o desafio de Kavanaugh será evitar passar a imagem de alguém que ataca sua acusadora ao mesmo tempo em que se defende. Por outro lado, Christine será interrogada por um promotor acostumado a lidar com crimes sexuais, um cenário difícil mesmo para a testemunha mais experiente.

Mudança de rumos

Há duas semanas, os procedimentos para Kavanaugh obter a liberação do Senado para chegar à Suprema Corte pareciam encaminhados. No entanto, as acusações de Christine sobre o que teria acontecido em uma festa nos arredores de Washington, em 1982, colocaram esse processo em dúvida.

Segundo o testemunho da psicóloga, Kavanaugh e um amigo de sua juventude, Mark Judge, a isolaram em um quarto e o futuro juiz teria tentado imobilizá-la enquanto tentava despi-la. Em um momento de confusão, ela teria conseguido escapar.

A decisão de Trump de indicar um conservador para a vaga vitalícia aberta no tribunal - hoje dividido entre 4 juízes conservadores e 4 liberais - selaria seu objetivo de deixar em minoria os magistrados progressistas ou moderados por muitos anos.

E isso é vital considerando que a Suprema Corte é responsável, em última instância, por resolver questões fundamentais da sociedade americana, como o direito ao aborto, ao porte de armas de fogo e os direitos das minorias - todos temas com profundo apelo eleitoral. / AFP e NYT

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