AP Photo/Jacquelyn Martin
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Juiz indicado por Trump à Suprema Corte nega agressões sexuais em entrevista à Fox News

Comissão de Justiça do Senado americano ouvirá mulher que acusa Brett Kavanaugh de agressão sexual; republicanos tentam acelerar processo para garantir uma Suprema Corte de tendência conservadora

O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2018 | 15h45

WASHINGTON - O juiz indicado pelo presidente Donald Trump à Suprema Corte dos Estados Unidos, Brett Kavanaugh, declarou em entrevista televisionada que nunca cometeu qualquer agressão sexual durante o Ensino Médio ou em qualquer outro período de sua vida. O juiz e sua mulher, Ashley Kavanaugh, se sentaram para uma entrevista no programa The Story With Martha MacCallum, do canal Fox News, na noite de segunda-feira 24.

Kavanaugh é acusado por duas mulheres de assédio sexual. A primeira denúncia foi realizada pela professora Christine Blasey Ford. Ela alega que Kavanaugh a agrediu sexualmente em uma festa quando eram adolescentes. 

O juiz negou que estivesse na festa. Ele afirmou não questionar que Christine tenha sido, em algum ponto de sua vida, sexualmente agredida. “O que sei é que nunca agredi alguém sexualmente”, disse.

Kavanaugh afirmou ser possível que ele tenha conhecido Christine em algum momento, mas sublinhou que não eram amigos e não frequentavam os mesmos círculos sociais. Ele disse que não lembra de ter estado em uma festa com ela.

O juiz foi questionado sobre a possibilidade de que Christine tenha entendido mal alguma interação entre os dois, mas descartou a ideia. “Nunca tive nenhuma atividade sexual ou física com a Dra. Ford", disse.

É raro que indicados à Suprema Corte dêem entrevistas. Russel Wheeler, especialista no processo de seleção judicial na Brookings Institution, disse não ter conhecimento de uma entrevista semelhante dada por um indicado à Suprema Corte nos últimos 100 anos.

No entanto, o contexto da nomeação de Kavanaugh para o cargo não é nada comum. Os republicanos no Senado lutam para colocá-lo na corte até o fim de setembro, o que garantiria uma corte de tendência conservadora pelos próximos anos. O presidente Trump e o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, dizem estar determinados a colocar Kavanaugh na Corte, chamando as alegações contra ele de “falsas” e “politicamente motivadas”.

Kavanaugh demonstrou que não desistirá. "Eu não vou deixar que acusações falsas nos tirem desse processo". Democratas têm acusado republicanos de não conduzirem uma revisão completa do juiz, em sua pressa de confirmá-lo para o cargo. Eles querem que o FBI reabra sua investigação sobre o passado de Kavanaugh e examine as alegações contra ele.

Na quinta-feira, Christine e Kavanaugh devem testemunhar diante da Comissão de Justiça do Senado. Na entrevista à Fox News, o juiz experimentou algumas das perguntas de cunho pessoal que ouvirá dos senadores. A apresentadora o perguntou por quanto tempo foi virgem durante a faculdade, depois de ele ter voluntariamente dito que nunca fez sexo durante o Ensino Médio. "Muitos anos depois", respondeu o indicado.

Sua mulher, Ashley, foi perguntada se duvidava do que o marido diz. "Não, eu conheço Brett. Eu o conheço há 17 anos", disse. "Eu conheço o coração dele. Isso (as alegações) não é consistente com Brett". Ao fim da entrevista, o juiz demonstrou emoção, e disse que recebeu um telefonema de Trump, no qual o presidente demonstrou seu apoio. "Eu sei que ele vai ficar ao meu lado", disse Kavanaugh. / AP

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