Juiz indicia 31 pessoas por seqüestro atribuído à CIA

Um juiz de Milão indiciou nesta sexta-feira, 16, 26 cidadãos americanos e cinco italianos pela detenção clandestina de supostos extremistas em território italiano. A ação teria sido promovida pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA). Este é o primeiro processo judicial desse tipo na Itália.O juiz marcou o julgamento para 8 de junho. Os promotores alegam que os cinco italianos trabalharam em conjunto com os americanos - quase todos agentes da CIA - para seqüestrar o clérigo muçulmano Osama Mustafa Hassan Nasr em uma rua de Milão em 17 de fevereiro de 2003.A CIA recusa-se a comentar o caso. Apenas um dos réus americanos não foi identificado como agente da CIA.Depois do seqüestro, Nasr teria sido levado de carro até a base aérea de Aviano, perto de Veneza, de onde foi para Ramstein, na Alemanha, e finalmente ao Egito, onde críticos denunciam que ele foi torturado.Entre os indiciados pela juíza Caterina Interlandi estão ex-chefe do serviço secreto militar italiano Nicolo Pollari e seu ex-vice Marco Mancini.Pollari, o único réu presente numa audiência preliminar, insistiu que os serviços secretos italianos não participaram do seqüestro e disse ao juiz que não poderia se defender adequadamente porque os documentos que confirmam sua versão não podem ser apresentados por conterem segredos de Estado.Dois outros suspeitos alcançaram um acordo. Um policial italiano que admitiu parar Nasr e pediu sua identidade durante o seqüestro teve sua sentença suspensa por um ano, nove meses e um dia. Um ex-jornalista acusado de ser cúmplice do crime teve uma sentença de seis meses de prisão que se tornou uma multa.Dois outros agentes da inteligência italiana também forma indiciados por serem cúmplices.Antes nesta semana, o parlamento da União Européia (UE) acusou governos e serviços de inteligência da Europa de aceitarem e acobertarem os vôos secretos realizados pelos EUA para transportar acusados de terrorismo através do continente europeu.Os parlamentares da UE aprovaram um relatório que concluiu um ano de investigações sobre as suspeitas de que a CIA (agência de inteligência americana), secretamente, manteve presos na Europa suspeitos de terrorismo e transportou-os de avião para países onde podem ter sido vítimas de tortura.

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