AFP PHOTO / ARGENTINA'S SENATE / GABRIEL CANO
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Juiz indicia Cristina Kirchner e seus filhos por lavagem de dinheiro

Julián Ercolini também processou, entre outros, Romina Mercado, sobrinha de Cristina, e o empresário construtor Lázaro Báez, já em prisão preventiva desde 2016 por outro caso

O Estado de S.Paulo

14 Maio 2018 | 17h53
Atualizado 15 Maio 2018 | 15h56

BUENOS AIRES - Um juiz indiciou nesta segunda-feira, 14, a ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner (2007-2015) e seus filhos, Máximo e Florencia Kirchner, por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, em um caso de supostas irregularidades com empresários por meio da empresa familiar Hotesur.

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O juiz Julián Ercolini também processou, entre outros, Romina Mercado – sobrinha de Cristina – e o empresário do setor de construção civil Lázaro Báez, já em prisão preventiva desde 2016. Ercolini ordenou o bloqueio de até 800 milhões de pesos (US$ 32 milhões) de cada um dos envolvidos.

Esse é o quinto indiciamento de Cristina, que tomou posse como senadora em dezembro. A investigação do Caso Hotesur apura se a família da ex-presidente recebeu pagamentos de empresários, ligados a projetos de obras públicas, por meio de aluguel de quartos de um hotel administrado por uma empresa de Cristina e seus dois filhos – a Hotesur –, na Patagônia. 

Uma das hipóteses investigadas é a de que Cristina e seu marido, Néstor Kirchner, ex-presidente que morreu em 2010, e seus filhos receberam dinheiro por meio do aluguel de quartos, em um negócio “aparentemente legítimo”. 

De acordo com o juiz, a renda desses aluguéis “ocultou sua verdadeira origem ilícita”. Segundo o jornal Clarín, as transferências incluiriam os US$ 4,6 milhões da filha de Cristina embargados há dois anos no Banco Galicia. 

Em março, Ercolini já havia determinado uma intervenção na companhia hoteleira. Na ocasião, ele afirmou que a Hotesur tinha sido uma das companhias por meio das quais a família Kirchner “teria recebido periodicamente dinheiro obtido mediante fraude contra o Estado nacional”.

Em novembro, Cristina prestou depoimento sobre o escândalo Hotesur. Diante dos investigadores, ela negou todas as acusações e afirmou que as atividades da empresa familiar eram legais. Segundo Cristina, as denúncias eram frutos de “perseguição” política. 

O processo começou em novembro de 2014, após uma denúncia da então deputada Margarita Stolbizer. De acordo com o juiz, tudo começou em razão da necessidade de Néstor e de Cristina de obter dinheiro “limpo” para “justificar a compra dos hotéis Alto Calafate e Las Dunas, na Província de Santa Cruz, reduto do casal. 

Em março, o mesmo juiz já havia determinado que Cristina será levada a julgamento oral pela acusação de formação de quadrilha em relação à concessão de obras públicas durante seu governo. Neste caso, também estão envolvidos o ex-ministro de Planejamento Julio de Vido e o empresário Lázaro Baez, amigo da família.

Cristina também foi indiciada – e com uma ordem de detenção que não foi executada em razão da imunidade parlamentar – pelo suposto acobertamento de funcionários do governo iraniano suspeitos de cometer um atentado contra uma associação judaica de Buenos Aires que deixou 85 mortos, em 1994. / EFE

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