Juiz inocenta Blair de ter mentido sobre as armas do Iraque

Um juiz inocentou o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, de qualquer responsabilidade pelo suicídio de um especialista em armas iraquianas e atacou a BBC por dizer que o governo havia ?esquentado? um dossiê sobre as capacidades bélicas de Saddam Hussein. A decisão de Lord Hutton, transmitida em TV nacional, isenta Blair de culpa na maior crise já vivida por seu governo. A reportagem da BBC havia posto em questão a integridade do premier e as razões do apoio britânico à invasão do Iraque.Falando na Câmara dos Comuns após a decisão de Hutton, Blair elogiou o relatório ?extraordinário, minucioso, detalhado e claro?. O primeiro-ministro também exigiu que a BBC se retrate das alegações de que o governo havia enganado o povo britânico no tocante às armas do Iraque.?A alegação de que eu qualquer um mentiu perante esta Casa ou deliberadamente enganou o país ao falsificar informações sobre armas de destruição em massa é, ela própria, uma mentira?, disse Blair. ?E eu só peço que aqueles que disseram isso, e que repetiram isso todos estes meses retirem-na de maneira completa, aberta e clara?.Segundo Hutton, o governo Blair não agiu com ?desonra, subterfúgio ou duplicidade? no caso do suicídio de David Kelly, que se matou depois de ser identificado como a fonte da BBC nas críticas ao governo. O relatório faz duras críticas à rede britânica por não ter investigado a fundo a alegação de que o governo Blair sabia, mesmo antes da guerra, que a ameaça das armas de Saddam Hussein não era real. A BBC não reagiu imediatamente à decisão de Hutton, mas prometeu uma resposta ainda hoje.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.