Juiz manda prender 46 ex-agentes da ditadura argentina

O juiz federal Rodolfo Canicoba Corral ordenou a detenção de 45 militares argentinos acusados de genocídio e terrorismo de Estado durante a última Ditadura Militar (1976-83). Além dos militares, Canicoba Corral ordenou a detenção de um civil, o advogado Gonzalo Torres de Tolosa, envolvido na repressão dos anos 70. A prisão foi requisitada a pedido do juiz espanhol Baltazar Garzón, que espera que os ex-repressores possam ser extraditados para julgamento em Madri. Na lista estão os generais Jorge Rafael Videla e Carlos Suárez Mason (que atualmente cumprem prisão domiciliar), além do general Ramón Díaz Bessone e Antonio Bussi. A lista também inclui o almirante Emilio Massera, além de famosos torturadores como os ex-capitães Jorge "Tigre" Acosta e Alfredo Astiz. A ordem do juiz Canicoba Corral coincide com a publicação das declarações do presidente Néstor Kirchner ao jornal The Washington Post nas quais afirmou que as leis de anistia deveriam ser revogadas, já que protegem "autores de tortura e morte". Kirchner referia-se às anistias realizadas a fins dos anos 80 e início dos 90, que salvaram da prisão pelo menos 1.100 militares. A expectativa é que nos próximos dias Kirchner revogue um decreto, assinado em 2001 pelo ex-presidente Fernando de la Rúa, que proibia as extradições de militares. Nos quartéis, o nervosismo predomina. Segundo analistas, os militares sequer possuem capacidade de dar um golpe. "Não temos nem gasolina para levar os tanques até a esquina, muito menos até a Casa Rosada", explicou recentemente ao Estado um coronel do Exército.

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