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Juiz manda prender ex-ditador do Uruguai Gregorio Alvarez

Um juiz uruguaio enviou nestasegunda-feira à prisão o ex-ditador Gregorio Alvarez, acusadode participar do sequestro e desaparecimento de várias pessoasdurante o regime militar (1973-85). O juiz Luis Charles investiga o envio, em 1978, de presospolíticos para a Argentina e que nunca mais foram vistos. Naépoca, Alvarez era comandante do Exército. A defesa de Alvarez havia apresentado dias atrás um recursode inconstitucionalidade sobre o delito de "desaparecimentoforçado". A Suprema Corte de Justiça rejeitou o pedido, mas ocaso voltou ao juiz. Alvarez foi presidente do governo militar entre 1981 e 85. O juiz também determinou a prisão do militar da reservaJuan Carlos Larcebeau, por envolvimento no mesmo caso, segundoa promotora Mirtha Guianze. Um terceiro implicado, o oficial dareserva da Marinha Jorge Tróccoli, também teve a prisãodecretada -- seu advogado disse que ele está viajando e voltano fim do mês. "Isso é muito alentador depois de 30 anos de luta", disseLuisa Cuestas, integrante da Associação de Familiares deDesaparecidos, ao site www.observa.com.uy. A imprensa local disse que o ex-ditador já está numa prisãoespecial, construída meses atrás para os primeiros militaresdetidos por crimes da ditadura. "O escudo do silêncio levantado pelos indagados etestemunhas militares, com suas três pontas fundamentais, issoé, 'não tenho conhecimento', 'eu era administrativo' e 'oresponsável está morto', cede diante do direito-dever desaber", disse nota da corte, citando o juiz Charles. "Não se trata exclusivamente de um direito a conhecer, abuscar a verdade, como atividade humana, e sim do dever detodos de recordar o acontecido, como obrigação ética",acrescentou. Charles disse que pesou em sua decisão também o fato deAlvarez ter sido um dos responsáveis pelo "aparato organizadodo poder" naquela época. Cerca de 200 uruguaios desapareceram durante a ditadura, amaioria sequestrados na Argentina no âmbito da Operação Condor(cooperação entre regimes militares da época). Os dois ex-militares se somam a outros dez presos pordesaparecimentos de uruguaios na Argentina, numa inéditasentença ditada em setembro de 2006. A Justiça pôde realizar essas investigações depois que opresidente Tabaré Vázquez excluiu pela primeira vez várioscasos da lei de anistia que proíbe o julgamento de militarespor crimes da ditadura, já que estes ocorreram fora doterritório uruguaio. Em novembro de 2006, o ex-ditador Juan María Bordaberry eseu chanceler Juan Carlos Blanco foram presos como co-autoresde quatro homicídios -- inclusive de dois parlamentares --ocorridos em 1976 em Buenos Aires. (Reportagem de Patricia Avila)

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