Brendan Smialowski / AFP
Brendan Smialowski / AFP

Juiz libera lançamento de livro de Bolton; Trump diz que ex-conselheiro 'pagará preço alto'

Magistrado alegou que o pedido do Departamento de Justiça para bloquear o livro seria impossível de se aplicar, uma vez que a publicação já foi 'impressa, encadernada e enviada para todo o país'; presidente reage no Twitter

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2020 | 12h07
Atualizado 20 de junho de 2020 | 13h57

WASHINGTON - Um juiz federal negou neste sábado, 20, o pedido do governo Trump de bloquear a divulgação do livro de memórias de John Bolton, observando que a publicação do ex-conselheiro de Segurança Nacional já havia sido "impressa, encadernada e enviada para todo o país".

Logo após a divulgação da decisão do juiz, Trump recorreu ao Twitter para fazer uma ameaça ao seu ex-conselheiro: "Bolton violou a lei e foi convocado e repreendido por isso, com um preço muito alto a pagar", tuitou. O presidente alega que o ex-assessor provavelmente colocou em perigo a segurança nacional ao incluir material confidencial no livro.

Segundo o site Politico, o juiz Royce Lamberth do Tribunal Distrital dos EUA disse que o pedido do Departamento de Justiça para suprimir o livro seria impossível de aplicar, mas criticou a decisão de Bolton de avançar com a publicação sem o consentimento explícito do governo.

"Enquanto a conduta unilateral de Bolton levanta sérias preocupações de segurança nacional, o governo não estabeleceu que uma liminar é um remédio apropriado", escreveu Lamberth.

A decisão de Lamberth veio após uma audiência de quase duas horas conduzida na sexta-feira por videoconferência e telefone devido a restrições de coronavírus.

"O cavalo, como costumávamos dizer no Texas, parece estar fora do estábulo", disse Lamberth no início da audiência de sexta-feira. "Certamente me parece difícil o que eu poderia fazer sobre esse livro em todo o país."

'Fascinado por autocratas'

Em seu livro The Room Where It Happened (“A Sala Onde Tudo Aconteceu”, em tradução livre), a ser publicado terça-feira, 23, o ex-conselheiro de Segurança Nacional retrata um presidente mal assessorado, fascinado por autocratas e obcecado por sua reeleição, mesmo correndo o risco de colocar os Estados Unidos em perigo. 

Um dos falcões de longa data da política externa americana que deixou a Casa Branca em setembro, Bolton acusou o presidente de cometer delitos abrangentes ao buscar a reeleição, incluindo pedir explicitamente a ajuda do presidente chinês, Xi Jinping, de acordo com partes de seu relato dos bastidores incluídos no livro.

Trump também demonstrou disposição de deter investigações criminais para favorecer ditadores dos quais gosta, disse Bolton em trechos publicados em vários grandes jornais na quarta-feira, que alegam acusações de má conduta muito mais vastas do que aquelas que motivaram o inquérito de impeachment de Trump.

Republicano que busca a reeleição em 3 de novembro, Trump se enfureceu com as alegações e atacou o caráter de Bolton, rotulando o ex-conselheiro de “mentiroso” e “lesado”.

Departamento de Justiça dos EUA abriu um processo para impedir Bolton de publicar o livro, citando riscos para a segurança nacional, mas a editora Simon & Schuster refutou as acusações e disse que milhares de cópias já foram distribuídas.

Trechos foram amplamente divulgados nos jornais Wall Street JournalWashington Post e New York Times. No livro de memórias, Bolton citou diversas conversas nas quais Trump demonstrou um “comportamento fundamentalmente inaceitável que erodiu a própria legitimidade da presidência”. / COM NYT, APF e EFE


 

Tudo o que sabemos sobre:
Donald TrumpJohn Boltonlivro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.