Enrique García Medina/EFE
Enrique García Medina/EFE

Juiz ordena blitz em empresa hoteleira de Cristina Kirchner

Deputada da oposição havia apresentado denúncia na Justiça na qual sustenta a existência de irregularidades na documentação de propriedade do hotel

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE, BUENOS AIRES, O Estado de S. Paulo

20 Novembro 2014 | 20h37


BUENOS AIRES – O juiz federal Claudio Bonadío ordenou nesta quinta-feira, 20, uma blitz na sede portenha da empresa Hotesur, administradora do “Alto Calafate”, o hotel de luxo que a presidente Cristina Kirchner possui no vilarejo turístico de El Calafate, na Província de Santa Cruz, extremo sul da Argentina. 

Na semana passada, a deputada da oposição Margarita Stolbitzer apresentou uma denúncia na Justiça na qual sustenta a existência de irregularidades na documentação de propriedade do hotel, além de supostos delitos de violação dos deveres de funcionário público e abuso de autoridade.

Segundo Stolbitzer, o hotel Alto Calafate poderia ser um alojamento “fantasma” utilizado para realizar negócios com o empresário Lázaro Báez, que até poucos anos era sócio do casal Néstor e Cristina Kirchner em empreendimentos imobiliários no sul da Argentina. Em 2010 e 2011, Báez pagou 935 diárias de diversos quartos do hotel sem jamais tê-los ocupado.

A presidente Cristina é dona de 26 imóveis e tem participações acionárias em seis empresas do setor de hotelaria e imobiliário na Patagônia.

Em 2006, ela e o então presidente Néstor Kirchner compraram da prefeitura de El Calafate um terreno de 20 mil metros quadrados. Na ocasião, os Kirchners pagaram US$ 34 mil. Mas, três anos depois, em 2009, o casal vendeu o mesmo terreno por US$ 1,65 milhão. Os Kirchners tiveram um lucro de 4.752% com esse investimento imobiliário, recorde em todo o país. 

Logo depois, oposição solicitou à Justiça a investigação sobre eventuais irregularidades na operação de compra e venda. No entanto, o caso ficou nas mãos da promotora federal Natalia Mercado, sobrinha direta de Néstor e Cristina Kirchner e filha da ministra da Ação Social, Alicia Kirchner, e foi arquivado.

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