AP Photo/Natacha Pisarenko
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Juiz ordena confisco de 33 obras de arte da casa de Cristina Kirchner

Ex-presidente é acusada de ser “chefe de associação ilícita” e de montar uma rede de subornos que envolve 37 pessoas; ela ironizou decisão em mensagem redes sociais

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2018 | 15h43

BUENOS AIRES - O juiz argentino Claudio Bonadio mandou retirar 33 obras de arte do apartamento da ex-presidente e atual senadora, Cristina Kirchner, em Buenos Aires. A decisão, conduzida por agentes da Polícia Federal argentina na noite de quinta-feira, 27, faz parte de uma investigação sobre casos de corrupção com obras públicas no governo argentino.

A operação faz parte do caso em que Cristina é acusada de ser “chefe de associação ilícita”, de montar uma rede de subornos e de financiamento ilegal de campanhas eleitorais, envolvendo 37 pessoas, entre eles empresários e ex-funcionários.

Segundo a imprensa argentina, as obras de arte têm valor estimado de US$ 4 milhões e foram entregues por um assistente de Cristina, que estava ausente no momento da retirada. Ainda não há detalhes sobre as obras confiscadas pela Justiça.

A ex-presidente se referiu ironicamente ao tema nas redes sociais ao publicar imagem da capa desta sexta-feira, 28, do jornal argentino Clarín. O diário trouxe como manchete a decisão do governo de Mauricio Macri de elevar tarifas sobre serviços públicos, como transporte, gás e eletricidade, com aumentos variando de 38% a 55% em Buenos Aires para o ano de 2019.

“O Clarín põe na capa os aumentos de tudo e uma foto das ‘33 obras de arte de Cristina’ para que vocês acreditem que em minha casa havia um museu e fiquem indignados por isso e não pelas novas tarifas sobre a luz, gás e transporte”, escreveu Cristina.

Investigação

Em agosto, o juiz Bonadio ordenou a realização de buscas no apartamento da ex-presidente no bairro de Recoleta, assim como outras casas que Cristina tem no sul da Argentina, seu lugar de residência habitual. Na ocasião, no entanto, nenhum objeto foi retirado.

Como Cristina tem foro privilegiado, as buscas foram autorizadas por unanimidade (incluindo com o voto de Cristina, atual senadora) no Senado, que, em troca, rechaçou pedido de prisão preventiva apresentado pelo juiz.

Claudio Bonadio é o juiz responsável pelo caso “cadernos da corrupção”, que investiga a atuação pública da ex-presidente de 2003 a 2015.

Cristina, agora com 65 anos, tem, junto com Macri, a maior intenção de voto nas pesquisas sobre as eleições presidenciais de outubro de 2019. No entanto, ela não lançou sua candidatura e propõe uma fórmula de consenso com as diferentes correntes peronistas. / AFP e EFE

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