REUTERS/Carlo Allegri
REUTERS/Carlo Allegri

Justiça envia ex-chefe de campanha de Trump para prisão em regime fechado

Paul Manafort, que comandou por um período a equipe do então candidato republicano à presidência e estava em prisão domiciliar desde novembro, é acusado de pressionar duas testemunhas a mentir em investigação sobre conluio com russos

O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2018 | 13h17
Atualizado 15 de junho de 2018 | 20h44

WASHINGTON - Para passar seus dias, ele tinha à disposição cinco propriedades em Manhattan e Palm Beach, com três Range Rovers e um Mercedes na garagem. Era capaz de gastar milhões de dólares em tapetes orientais e alfaiataria. A sorte de Paul Manafort, ex-chefe de campanha de Donald Trump, mudou nesta sexta-feira, 15, depois que uma juíza revogou sua prisão domiciliar, mandando-o para a cadeia, onde aguardará julgamento no mês que vem. 

Manafort estava sob prisão domiciliar desde novembro. Mas a equipe do procurador especial Robert Mueller – que conduz uma ampla investigação sobre a influência russa nas eleições de 2016 – registrou novas acusações de obstrução de Justiça contra ele e pediu a revogação de sua fiança. Segundo eles, o ex-lobista tentou influenciar o depoimento de duas testemunhas em seu processo depois de já ter obtido o benefício da prisão domiciliar.

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 Manafort responde por realizar lobby internacional e conluio com os russos durante a campanha para a eleição de Trump. Ele ainda é alvo de uma série de acusações, envolvendo lavagem de dinheiro e falso testemunho. 

“Você abusou da confiança que foi depositada em você seis meses atrás”, afirmou a juíza federal Amy Berman Jackson a Manafort. Amy disse que mandá-lo para uma cela foi uma “decisão difícil”, mas a conduta dele – contatar testemunhas do caso para tentar fazê-las mentirem para os investigadores – a deixou sem opção. 

Fim da linha. “Isso aqui não é um colégio. Não posso tomar seu celular”, disse a juíza. “Se eu peço a ele para não 

ligar para a testemunha 56, ele vai ligar para a 57.ª?, afirmou, alegando que ela não deveria ter de soletrar todo o código penal para que o acusado não cometa novas infrações. 

A ordem para prendê-lo encerra meses de uma disputa sobre os termos da sua fiança. Ele vinha negociando o depósito de US$ 10 milhões para poder deixar a prisão domiciliar, uma tratativa também suspensa com a decisão de hoje. 

Sua detenção é o mais recente episódio do declínio da carreira de um hábil negociador político, conhecido por estar sempre impecavelmente vestido e ser confidente de presidentes republicanos, desde Ronald Reagan, nos anos 80. 

Trump defendeu Manafort, ao mesmo tempo em que procurou se afastar do seu ex-chefe de campanha. “(Isso) não tem nada a ver com nossa campanha, mas eu digo que me sinto um pouco mal por ele. Eles (procuradores) voltaram 12 anos para pegar coisas que ele fez 12 anos atrás”, declarou, acrescentando que Manafort trabalhou para ele “por um período muito curto de tempo”. O ex-lobista atuou na campanha durante a Convenção Nacional Republicana. 

Manafort, de 69 anos, alega ser inocente de todas as acusações. Os procuradores dizem se tratar de um esquema internacional para lavar mais de US$ 30 milhões durante uma década em que ele exerceu um lobby não revelado para ex-políticos e partidos na Ucrânia. / AP e W. Post

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