Juiz processa militares dos EUA por morte de cinegrafista

O juiz espanhol Santiago Pedraz decidiu nesta sexta-feira, 27, processar os três militares americanos supostamente envolvidos na morte do cinegrafista da Telecinco José Couso.O cinegrafista morreu em Bagdá no dia 8 de abril de 2003, no ataque de um carro blindado do Exército dos Estados Unidos contra o Hotel Palestina.Nos autos do processo, o juiz indica que a ação na qual Couso morreu pode ser considerada um crime de assassinato doloso e outro contra a comunidade internacional. Este último crime pode ser punido com uma condenação à prisão de entre 10 e 15 anos.Os três réus na causa são o sargento Thomas Gibson, o capitão e chefe da companhia Philip Wolford e o tenente-coronel Philip de Camp, chefe da unidade.O juiz Santiago Pedraz pertence à Audiência Nacional espanhola, um tribunal que se ocupa de crimes de especial relevância e julga os casos de terrorismo.Em 22 de janeiro, Pedraz pediu à embaixada dos Estados Unidos em Madri os dados pessoais dos três militares americanos, contra os quais emitiu uma ordem de detenção por seu suposto envolvimento na morte do cinegrafista.Fontes jurídicas informaram na época que Pedraz pediu à embaixada estas informações depois que a Interpol comunicou a ele que, sem estes dados, não poderá efetuar as três ordens de busca e captura e detenção internacional, com efeitos de extradição, ditadas pelo juiz em 16 de janeiro.O juiz já tinha ordenado em 19 de outubro de 2005 a captura dos três militares, mas a sala penal da Audiência Nacional anulou a ordem por considerar que a morte de Couso ocorreu em "ato de guerra contra inimigo erroneamente identificado".A mesma sala estimou também que a Espanha não era competente para julgar os militares americanos, o que levou ao arquivamento do processo.Mas, em 14 de dezembro de 2006, a Corte Suprema da Espanharesolveu que a Audiência Nacional era o tribunal competente para investigar o crime, fundamentalmente porque a nacionalidade de Couso representa um adicional de legitimação para que a Justiça espanhola julgue o caso.Após a decisão do Tribunal Supremo, o advogado da viúva de Couso solicitou ao juiz que voltasse a ordenar as detenções e que decretasse a prisão dos militares, ao entender que foram eles que deram a ordem ou dispararam o tanque, causando a morte do cinegrafista.No ataque contra o Hotel Palestina, onde se alojava a maioria dos jornalistas estrangeiros que acompanhavam de Bagdá a invasão do Iraque, morreu também o cinegrafista ucraniano Taras Protsyuk, da agência Reuters.

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