Juiz rejeita extradição ao Peru de ex-assessor de Fujimori

A Justiça chilena rejeitou a extradição ao Peru do publicitário argentino Edgardo Daniel Borobio Guede, que foi assessor do ex-presidente peruano Alberto Fujimori,informaram fontes judiciais nesta terça-feira.A extradição do publicitário, que mora no Chile desde 2001, foi solicitada naquele ano pela Justiça do Peru, que o acusa de responsabilidade em casos de formação de quadrilha, colusão e peculato, o que não foi aceito pelo magistrado chileno.Em uma extensa resolução, o juiz da Corte Suprema Jaime Rodríguez Espoz considerou que "não há elementos suficientes para dar por configurados os delitos que são imputados a Borobio", segundo a edição desta terça-feira do jornal El Mercurio.Em seu ditame, o juiz Rodríguez Espoz sustenta que o publicitário não era funcionário público na época dos acontecimentos, mas apenas um assessor particular do ex-governante peruano (1990-2000), o qual também enfrenta no Chile um processo de extradição.Segundo a lei chilena, as acusações por peculato (roubo ao Fisco) só são aplicáveis aos funcionários públicos. Quanto ao delito de formação de quadrilha, o magistrado aplicou o princípio de já julgado, uma vez que, em agosto de 2001, o juiz Milton Juica rejeitou uma solicitação de extradição feita pelo Peru pelo mesmo motivo.Após a entrega de novos antecedentes pela Justiça peruana, o caso passou às mãos do juiz Rodríguez Espoz, que confirmou a decisão de seu antecessor.O ditame do magistrado deverá ser revisado nas próximas semanas pela sala penal da Corte Suprema, a última instância em casos de extradição.Segundo relatórios da Polícia peruana, Borobio seria um dos criadores dos chamados "Vladivídeos" utilizados pelo ex-assessor de Inteligência de Fujimori, Vladimiro Montesinos, e que desvelaram várias redes de corrupção no Peru.Borobio está sujeito a uma ordem de prisão, que o impede de abandonar o Chile enquanto durar o julgamento de extradição.Atualmente o empresário peruano das comunicações Julio Vera Abnad, dono do canal Andina TV enfrenta processos por delitos similares aos de Borobio.O ex-presidente Fujimori, que obteve a liberdade provisória em 18 de maio, após ter permanecido seis meses em detenção preventiva, está à espera de uma resolução no julgamento de extradição que é tramitado a pedido do Estado peruano, que o acusa de violação dos direitos humanos e corrupção.

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