Oscar Rivera/AFP
Oscar Rivera/AFP

Juiz salvadorenho decreta prisão do ex-presidente Sánchez Cerén

Crimes teriam sido cometidos no primeiro governo da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) liderado por Mauricio Funes

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 22h31

SAN SALVADOR - Um juiz de El Salvador decretou nesta quarta-feira, 28, a prisão preventiva do ex-presidente Salvador Sánchez Cerén (2014-2019) por suposta participação em um caso de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro, informou o Ministério Público. 

Segundo autoridades migratórias, Sánchez Cerén deixou o país em novembro de 2020 com destino à Nicarágua. Por isso, a Interpol foi acionada para localizá-lo e levá-lo à Justiça, declarou a procuradora Maricela Velásquez. 

Além do ex-presidente, o juiz pediu a prisão de nove ex-ministros do governo Mauricio Funes (2009-20014) pelos mesmos crimes.

"Todos cairão"

Os crimes teriam sido cometidos no primeiro governo da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN) liderado por Mauricio Funes, da qual Sánchez Cerén foi vice-presidente. 

Em 2016, Funes também fugiu para a Nicarágua, onde obteve asilo e nacionalidade.

Os réus "contribuíram para o desfalque que custou ao Estado salvadorenho mais de 350 milhões de dólares", disse o procurador-geral Rodolfo Delgado na época. 

“O dinheiro era entregue na casa presidencial (...) mensalmente e constituía um acréscimo ao salário que por lei deviam receber para o exercício da função pública”, explicou.

Delgado disse que a investigação começou em 2019 e é um desdobramento da operação “Saque Público” de 2009-2014, quando a Assembleia Legislativa aprovou 80,8 milhões de dólares por um período de cinco anos como “despesas particulares” da presidência. 

"A FMLN tinha um mandato popular para acabar com a corrupção da ARENA (Alianza Republicana Nacionalista, de direita), mas eles decidiram se juntar a eles", disse o presidente Nayib Bukele no Twitter. 

“Não vamos cometer o mesmo erro. Todos os corruptos vão para a cadeia, os do passado, os do presente e os do futuro, mesmo que sejam do mesmo partido. Todos cairão”, acrescentou.

O secretário-geral da FMLN, Óscar Ortiz, rejeitou a decisão do juiz nesta quarta-feira e lamentou que “tenham sido encerradas as possibilidades de desmontar a estrutura probatória que desde o início apresenta uma série de irregularidades”. /AFP

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