Juiz suspende veto à exploração de petróleo no Golfo

O juiz federal Martin Feldman, da Louisiana, nos Estados Unidos, decidiu bloquear a proibição de seis meses imposta pelo governo americano sobre a perfuração de poços em águas profundas no Golfo do México. Com isso, foi aberta a possibilidade de retomada da exploração de petróleo e gás na região, que ainda sofre com o vazamento de petróleo.

AE, Agência Estado

22 de junho de 2010 | 16h52

A decisão de Feldman é referente a um processo aberto no início de junho pela Hornbeck Offshore, uma pequena companhia de serviços petrolíferos da cidade de Covington, na Louisiana. A empresa disse que seria prejudicada pela proibição, decretada em 28 de maio pelo Departamento do Interior do país em resposta ao vazamento de petróleo no Golfo. Outras companhias posteriormente se uniram à Hornbeck Offshore e a empresa também recebeu apoio do Estado da Louisiana.

Segundo Feldman, a Casa Branca banalizou o impacto econômico da moratória às perfurações, e a decisão do governo "simplesmente não pode justificar o efeito sobre os requerentes, a economia local e a região do Golfo". O juiz acrescentou que a proibição "não parece ter sido especificada em fatos" e não leva em conta o histórico de muitas companhias que operam no Golfo do México.

"Todos os aviões são um perigo porque um foi?", escreveu o juiz. "Todos os navios petroleiros, como o Exxon Valdez? Todos os trens? Todas as minas? Esse tipo de pensamento parece desastrado e um tanto quanto arbitrário." A Casa Branca afirmou que contestará a decisão do juiz. "Continuar a perfurar nessas profundidades sem saber o que aconteceu não faz sentido", disse o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, acrescentando que as questões de "segurança" são muito intensas e incertas para serem relevadas.

Queda de braço

A decisão do juiz representa uma derrota para o governo do presidente Barack Obama e para o secretário do Interior dos EUA, Ken Salazar. A Casa Branca disse que a "pausa" de seis meses nas perfurações no Golfo do México em profundidades superiores a 500 pés (pouco mais de 150 metros) era necessária para permitir que o governo e a indústria tivessem tempo para implementar novas regras e procedimentos de segurança que evitassem outro acidente como a explosão da plataforma Deepwater Horizon, ocorrido em 20 de abril. A moratória, no entanto, esbarrou em forte oposição da indústria de petróleo e gás e de autoridades de regiões dependentes da produção de energia, como o governador do Estado da Louisiana, Bobby Jindal.

Hoje também, durante o Congresso Mundial de Companhias Petrolíferas Nacionais, em Londres, o chefe global de recursos humanos da British Petroleum (BP), Steve Westwell, afirmou que seria um erro se a resposta regulatória ao vazamento de petróleo no Golfo do México criasse um ambiente no qual os investimentos na extração de petróleo em águas profundas se tornassem impossíveis. "Eu não acredito que essa resposta deva interromper toda a futura produção em águas profundas", afirmou Westwell. "As empresas têm perfurado em águas profundas no Golfo do México há 20 anos e até agora têm tido um bom histórico de segurança", disser Westwell.

Diante das incertezas, membros da Comissão Europeia para o setor de Energia e Meio Ambiente terão uma reunião no dia 14 de julho com representantes da indústria de petróleo e gás, assim como autoridades fiscalizadoras nacionais, para discutir a possível necessidade de rever as regras europeias sobre perfuração a partir de plataformas, tendo em vista o acidente no Golfo. "Quero ter certeza de que a legislação necessária está em vigor e efetivamente implementada e que, ao mesmo tempo, a indústria esteja fazendo todos os esforços possíveis para evitar um acidente semelhante e o consequente vazamento de petróleo", disse o comissário de Energia, Günther Öttinger, em um comunicado. As informações são da Dow Jones.

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