Juíza alerta sobre testemunho de parentes contra acusado do 11/9

O julgamento de Zacarias Moussaoui, única pessoa processada nos EUA pelos atentados de 11 de setembro de 2001, recomeçou nesta segunda-feira com a advertência da juíza Leonie Brinkema aos advogados da defesa para que não usem depoimentos de familiares para influenciar o júri. Brinkema reconheceu que é impossível coibir testemunhos emocionados das vítimas no julgamento, e lembrou aos advogados que um testemunho prejudicial pode ser razão suficiente para anular uma sentença de morte na fase de apelação. Devido a advertência, os advogados se comprometeram a mostrar menos fotografias, e disseram que tentariam limitar a menos de 30 minutos os depoimentos de 45 testemunhas. Ainda assim, houve muita emoção nos depoimentos das testemunhas e parentes. Depoimentos Após o recesso da sexta-feira passada, o julgamento foi retomado esta semana com o depoimento de John Creamer, que descreveu o impacto da morte da mulher e dos dois filhos nos atentados de 11 de Setembro. Emocionado, Creamer chorou ao contar que teve que pedir a ajuda de um psicólogo infantil para explicar ao filho, então com 4 anos, que o resto da família tinha morrido. Depois, C. Lee Hanson - avô da vítima mais jovem dos atentados - disse ter visto ao vivo, pela televisão, o choque do avião em que estavam o filho e a neta de dois anos e meio contra um dos edifícios das Torres Gêmeas de Nova York. Lee Hanson descreveu que, momentos antes do impacto, o filho Peter lhe disse pelo celular: "Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!". O americano disse ainda que, antes da colisão, seu filho já suspeitava que os seqüestradores do avião lançariam a aeronave contra um edifício, e procurou tranqüilizar o pai, pedindo que não se preocupasse, já que "se acontecesse alguma coisa, tudo seria rápido". O júri ouviu uma fita dos serviços de emergência de Nova York, na qual uma vítima resgatada no 83º andar do edifício sul das Torres Gêmeas perguntava à telefonista se iria morrer. "Vou morrer, não é verdade? Por favor, Deus, isto está ardendo, estou queimando", disse a vítima. Após ouvir os parentes, e depois do recesso matinal do julgamento, Moussaoui gritou - assim como fizera na quinta-feira anterior - "Burn in the EUA" (queime nos EUA), em referência à música de Bruce Springsteen "Born in the USA" (nascido nos EUA). Na terça-feira, as famílias devem anunciar se autorizam ou não a divulgação da gravação da caixa-preta do avião da American Airlines que caiu no 11 de setembro em uma zona rural da Pensilvânia. Caso não haja a permissão, a fita será ouvida apenas pelo júri. Em 3 de abril, o júri concluiu que pelo menos uma pessoa morreu por causa das mentiras relatadas por Moussaoui ao FBI, pouco após ser detido em agosto de 2001. Por isso, o acusado pode ser condenado à pena de morte ou à prisão perpétua sem liberdade condicional.

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