Juíza argentina se diz perseguida por contrariar governo

Uma juíza federal acusa o governo da Argentina de ordenar a prisão do pai dela para pressioná-la por causa da recente liminar que proibiu o uso das reservas do Banco Central para pagar dívida pública. "Claro que eles estão tentando me pressionar", afirmou a juíza María Jose Sarmiento, que já havia denunciado, em janeiro, ter sofrido intimidação policial.

MARINA GUIMARÃES, Agencia Estado

19 de março de 2010 | 17h47

"Coincidências como estas não existem", opinou a juíza, que concedeu duas liminares contrárias às decisões da presidente, Cristina Kirchner - uma que manteve Martín Redrado na presidência do BC, após ter sido demitido por decreto, e outra, que suspendeu a medida provisória para transferir recursos das reservas ao Tesouro.

O ministro-chefe do Gabinete da Presidência, Aníbal Fernández, classificou a acusação como uma "vergonha" e disse que o pai da juíza poderia ter participado de crimes de torturas e mortes cometidos durante a ditadura. A ordem de detenção do pai da juíza, Luis Sarmiento, um coronel do Exército que entrou para a reserva em 1973, foi dada por um juiz da Província de Misiones. O ex-coronel tem 85 anos e trabalhou no serviço de inteligência do governo na África do Sul.

"Sinto medo", disse a juíza, em entrevista à imprensa local. "Desde que concedi a liminar, sinto uma resposta do governo totalmente desmedida e inesperada, mas isso não vai impedir que eu continue trabalhando", desabafou.

Segundo ela, o pai nunca foi acusado de ter participado dos crimes dos governos militares. Além disso, continuou, o estado de saúde do pai é delicado - e ele hoje usa uma cadeira de rodas. Por causa disso, o ex-coronel cumprirá a ordem em prisão domiciliar. Coincidência ou não, o fato é que, desde janeiro, o governo já apresentou também duas denúncias penais contra a juíza Maria José Sarmiento.

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