JAVIER GONZALEZ TOLEDO/AFP
JAVIER GONZALEZ TOLEDO/AFP

Juíza checa ligações de Cristina antes da morte de Nisman

Cruzamento de chamadas poderia dar pistas sobre a reação da Casa Rosada à denúncia que o promotor Alberto Nisman fez contra a então presidente

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

10 Agosto 2016 | 19h45

A investigação sobre a morte do promotor Alberto Nisman tenta descobrir com quem a ex-presidente argentina Cristina Kirchner falou antes e depois de ele ser encontrado com um disparo na cabeça, em janeiro de 2015, no banheiro de seu apartamento em Buenos Aires.

A solicitação para que os números fixos e de celular que ela utilizava sejam identificados foi feita ontem pela juíza Fabiana Palmaghini a empresas de telecomunicações, à secretaria-geral da presidência e ao setor de inteligência das Forças Armadas. A medida também atinge ex-funcionários da cúpula kirchnerista, como o ex-chanceler Héctor Timerman, o ex-chefe de gabinete Aníbal Fernández, além dos comandantes do serviço de espionagem e das Forças Armadas. A ação da Justiça atende a um pedido do advogado da mãe de Nisman, Sara Garfunkel, e vale para o período de 1.º de dezembro de 2014 a 2 de março de 2015.

O cruzamento de chamadas, mesmo sem acesso ao conteúdo, poderia dar pistas sobre a reação da Casa Rosada à denúncia que o promotor fez contra Cristina quatro dias antes de morrer e se houve tentativa de dirigir o rumo da investigação. Nisman garantia ter provas de que um pacto do kirchnerismo com Teerã para ouvir iranianos acusados de planejar o atentado de 1994 contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia) era um acordo comercial em troca de proteção aos suspeitos.

Sua denúncia foi arquivada quatro meses após ser feita, mas voltou a preocupar a ex-presidente na semana passada, ao ser incorporada pelo juiz Claudio Bonadio a outra causa vinculada ao tema, em que os kirchneristas respondem por traição à pátria.

Assim que o pedido da juíza ganhou destaque nos sites locais, Cristina recorreu ao Twitter para atacar o governo de Mauricio Macri. Ela publicou trechos de uma entrevista em que um ativista admite ao jornal Página 12, crítico ao macrismo, ter recebido pressão de atuais ministros para alimentar uma página contra ela e estimular a violência na eleição do ano passado.

 

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