Juíza dá a pai cubano guarda da filha que vive nos EUA

Garota de 5 anos tinha sido entregue pela mãe a casal de Miami

AP, O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2007 | 00h00

Uma juíza de Miami determinou ontem que o pai de uma menina cubana de 5 anos, pivô de uma batalha internacional sobre custódia, não a abandonou nem negligenciou, por isso deve recebê-la de volta. No entanto, a juíza Jeri B. Cohen disse que não devolveria a garota imediatamente a seu pai, o agricultor cubano Rafael Izquierdo, que deseja levá-la de volta para Cuba.A menina chegou aos EUA em 2005 com a mãe, Elena Perez. Mas, depois que Elena tentou o suicídio alguns dias antes do Natal daquele ano, a garota foi entregue a pais adotivos em Miami - com quem vive há 18 meses. O casal que a adotou, Joe e Maria Cubas, quer mantê-la no país.O caso lembra o do garoto cubano Elian, cuja guarda após a morte da mãe, em 1999, acabou acirrando a tensão diplomática entre EUA e Cuba. Agora, para evitar a exposição da garota, a juíza Cohen proibiu a divulgação do seu nome.O Departamento de Crianças e Famílias (DCF) da Flórida disse que Izquierdo abandonou a menina e defende que a garota fique com os pais adotivos, um rico casal cubano-americano. O argumento é de que a garota se ligou aos Cubas e quer ficar com seu meio-irmão, que também foi adotado. Os procuradores estaduais consideraram que retirar a menina depois de tanto tempo poderia lhe causar um sério trauma emocional.A juíza Cohen disse que faria uma audiência para ouvir os argumentos do Estado, mas insistiu para o departamento ''''tirar a venda dos olhos e enxergar a floresta e não só as árvores''''. ''''O tribunal não pode negar a Izquierdo a custódia de sua filha'''', disse Cohen.Na saída do tribunal, Izquierdo comemorou: ''''A verdade vence'''', disse. ''''Só quero o que é meu.'''' Seu advogado, Ira Kurzban, disse que não tem conhecimento de nenhum caso na Flórida em que um pai, depois de ter sido considerado adequado, tenha perdido a custódia com base em danos psicológicos ''''nebulosos'''' que a criança sofreria por ser separada de seus pais adotivos.O pai, pais adotivos e a mãe estavam no tribunal quando a juíza leu a sentença de 47 páginas. A juíza reconheceu os esforços de Izquierdo para recuperar a filha. ''''Ele participou ativamente no que deve lhe parecer um processo legal misterioso e assustador. Embora geograficamente Cuba esteja a apenas 145 quilômetros apenas da costa dos EUA, os dois países são mundos política e filosoficamente distantes'''', disse Cohen.

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