Adriana Loureiro/Reuters
Adriana Loureiro/Reuters

Juíza detida por Chávez passou dez anos na cadeia sem julgamento

Um dos símbolos de resistência ao chavismo, Maria de Lourdes Afiuni foi libertada nesta sexta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2019 | 21h50

A ex-juíza Maria de Lourdes Afiuni é hoje um dos símbolos de resistência ao chavismo na Venezuela. Ela ficou quase uma década presa sem julgamento depois que o então presidente, Hugo Chávez, a criticou por ter ordenado a libertação, em 2009, do banqueiro Eligio Cedeño, acusado de corrupção. Ele estava detido havia 24 meses, tempo máximo de privação de liberdade sem julgamento segundo a lei da Venezuela. 

Promotores acusaram Afiuni de ter recebido suborno para libertar Cedeño. Ela negou as acusações. Mais tarde, Afiuni disse que foi estuprada na prisão e sustentou que autoridades lhe negaram atendimento médico. Líderes do governista Partido Socialista disseram que as alegações eram mentiras. Em março, ela foi condenada a 5 anos de prisão e foi posta sob prisão domiciliar. 

Ao Estado, irmão da juíza, Nelson Afiuni disse que ela já estava em liberdade desde a tarde desta sexta-feira, mas teria de se apresentar periodicamente a um juiz até que a sentença de sua libertação seja divulgada. “Foi o fim de um pesadelo. Ela ficou dez anos presa, primeiro com Chávez, depois com Maduro”, disse. 

Ainda de acordo com o irmão, Afiuni foi orientada por seu advogado, José Amado Graterol, a não dar entrevistas. Além de advogado, Graterol é coordenador do partido opositor Vente Venezuela, ligado à ex-deputada Maria Corina Machado, uma das críticas mais radicais do chavismo. / REUTERS, COM LUIZ RAATZ

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