Juíza do caso Moussaoui irá reproduzir fitas da cabine de avião de 11/9

A juíza do caso "Zacarias Moussaoui", acusado pelos atentados de 11 de setembro, exigiu nesta quarta-feira que o conteúdo da fita da cabine do avião que caiu no Estado da Pensilvânia naquele dia seja transmitida no júri. Esta será a primeira vez que o conteúdo será exposto ao público. A fita já fora transmitida privativamente aos familiares dos mortos do Vôo 93 da United Airlines. Os promotores pediram à juíza que mantenha a fita em sigilo e que a cópia fique longe do público em geral após ser transmitida na Corte. No entanto, a juíza afirmou que se nenhum dos familiares se manifestar contra, ela liberará o conteúdo ao público um dia após a fita ser arquivada como evidência. Os promotores começaram a contatar os parentes das vítimas na tarde desta quarta-feira para avisá-los sobre a decisão da juíza. O julgamento de Moussaoui continuará na quinta-feira. Recentemente, o júri o considerou elegível à pena de morte por conspiração para cometer terrorismo internacional, pirataria aérea e uso de armas de destruição em massa. A segunda fase examinará as evidências agravantes de seus crimes e decidirá se o réu será executado ou passará a vida atrás das grades. Muito do que aconteceu no vôo 93, incluindo o esforço por parte dos passageiros em retomar o controle do avião dos seqüestradores da Al-Qaeda, é conhecido graças às ligações feitas pelos passageiros e tripulantes. Mesmo que nenhum familiar se oponha, a data exata da liberação do conteúdo da fita ao público continua incerta. Promotores não divulgaram quando planejam apresentar o material ao júri. A quinta-feira será o único dia em que haverá sessão na Corte durante esta semana. No entanto, grande parte do tempo será consumido por instruções para a promotoria e para a defesa. O júri retornará na segunda-feira. A estimativa para a conclusão da segunda fase é de duas semanas a dois meses. O objetivo do governo é provar que os atos de Moussaoui provocaram "várias feridas físicas e emocionais, incluindo mutilação, desfiguração e inabilidade permanente" nos sobreviventes. Esses atos, também segundo a promotoria, machucaram ou prejudicaram não só as vítimas, mas seus familiares, amigos e colegas. Os promotores pretendem apresentar ao júri, por nome e fotografia, cada uma das 2.972 vítimas dos atentados. Eles querem também chamar testemunhas para contar as histórias de 45 vítimas. Essa prova incluirá vítimas de cada um dos quatro aviões raptados, do World Trade Center e do Pentágono. Além disso, os promotores também querem mostrar o prejuízo que os ataques deram à economia de Nova York, aos funcionários públicos e ao pentágono. Para tentar dissuadir a corte da pena de morte, a defesa quer chamar um médico - para atestar que Moussaoui sofre de esquizofrenia - e alguns sociólogos - para descreverem sua infância pobre na França e o racismo sofrido na Europa por causa da sua ascendência marroquina. Para obter a pena de morte, a promotoria deverá provar ao menos um destes três fatores agravantes: Moussaoui conscientemente criou um grave risco de morte para um ou mais inocentes; sujeitou as vítimas a sérios abusos físicos de maneira abominável e cruel; ou agiu com intenções assassinas ou terroristas após um substancial planejamento.

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