Jorge Silva/REUTERS
Jorge Silva/REUTERS

Juíza envia Leopoldo López para prisão com outros críticos do chavismo

Acusado de terrorismo e de incitação à violência, Leopoldo López diz que sua prisão terá valido a pena se servir para que o povo venezuelano se levante

O Estado de S. Paulo,

18 de fevereiro de 2014 | 10h14

(Atualizada às 23h45) CARACAS - A juíza Ralenys Tovar Guillén determinou que o líder opositor venezuelano Leopoldo López fosse levado na noite de terça-feira, 18, ao Centro de Processados Militares de Ramo Verde, em Los Teques, onde estão presos outros críticos do chavismo, como o ex-chefe de polícia Ivan Simonovis. Uma audiência na quarta-feira ao meio-dia deve decidir se ele continua sob prisão preventiva.

O líder opositor se entregou na terça-feira à Justiça em Caracas. Acusado de terrorismo, incitação à violência e mais sete crimes contra o governo chavista, ele estava foragido desde quinta-feira. Nas ruas da capital e em diversos Estados, manifestações pró e contra o governo reuniam até a noite milhares de pessoas. Segundo o governo, uma pessoa morreu, alvo de motoqueiros armados.

López, dirigente do partido Vontade Popular, disse que tinha a opção de fugir do país ou cair na clandestinidade, mas preferiu a prisão. "Não podia deixar a dúvida. Não temos nada a esconder. Se a minha prisão infame despertar o povo, terá valido a pena", disse. "Essa luta é pelos nossos jovens, pelos estudantes, pelos presos e por todo o povo venezuelano que sofre com filas e escassez. Os jovens não têm emprego."

López compareceu à tarde ao Palácio de Justiça de Caracas, acompanhado do presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello. Ele responderá por homicídio, tentativa de homicídio, terrorismo, lesão corporal grave, incêndio de prédio público, dano à propriedade, intimidação, instigação de crime e associação para delinquir.

A Justiça venezuelana também decretou a prisão de Carlos Vecchio, outro dirigente do Vontade Popular.

Momentos antes de se entregar, López disse a seus seguidores que seria julgado por uma Justiça injusta e corrupta, num país onde não há separação de poderes. Ele discursou em cima de uma estátua do herói da independência cubana José Martí, na Praça Brión, em Caracas, após a polícia vetar o trajeto inicial da passeata, entre a Praça Venezuela e o Ministério do Interior, onde, de acordo com o plano inicial, o opositor se entregaria.

Uma concentração de partidários do chavismo que ia da Praça Venezuela ao Palácio de Miraflores ficou no caminho dos opositores e obrigou López a mudar de ideia.

Antes de se apresentar, López desceu da estátua, abraçou a mulher e foi puxado para dentro do carro policial com uma bandeira da Venezuela e flores nas mãos. Militantes da oposição não queriam deixar o veículo, que serviu como camburão, deixar a praça. "Soltem-no. Covardes", gritavam.

López pediu calma aos ativistas e insistiu que a marcha deveria ser pacífica. "A violência não pode ser apresentada como método da nossa luta. Peço-lhes para que possamos sair daqui em paz e tranquilidade", disse, falando de dentro do carro, com um equipamento de som permitido pelos policiais.Nas passeatas da semana passada, organizadas pelo opositor, ao menos três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.

O presidente Nicolás Maduro festejou a prisão. "Ele tem de responder por incitar a conspiração à procuradoria, aos tribunais e às leis da república", declarou. Apesar das críticas, o presidente disse que a prisão de López ocorreu "como deveria ser", em uma manifestação pacífica.

"Encarreguei-me pessoalmente de conduzir as operações para garantir a paz durante a marcha do fascismo, com seus grupos armados e treinados", disse Maduro. "Garantimos a paz e contivemos o ataque, por ora."

Revolta

No ato da oposição, o clima era de indignação com a crise econômica venezuelana, marcada por uma escassez de três em cada dez produtos da cesta básica e uma inflação, em 12 meses, de 56%.

"Estamos expressando a frustração que sentimos. O país é um caos, não há remédios nos hospitais, Basta de violência, quero uma Venezuela com progresso, onde eu possa ficar", disse a enfermeira Satle Oviedo, de 27 anos, que protestava contra o governo.

Respaldo. Simultaneamente à marcha opositora, trabalhadores do setor petrolífero organizaram um ato de apoio a Maduro. Liderados pelo presidente da PDVSA - a estatal do petróleo - , Rafael Ramírez, os operários dançaram e levaram bandeiras vermelhas ao centro da capital. Na zona leste de Caracas, uma cooperativa têxtil foi alvo de um ataque de motoqueiros armados. Uma pessoa morreu.. A ministra das Comunicações, Delcy Rodríguez, acusou "grupos violentos e golpistas guiados pelos EUA" pelo crime. / REUTERS, EFE e AFP

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