Juíza recebe dossiê contra Berlusconi

Procuradoria pede indiciamento de premiê em caso de prostituição e abuso de poder

, O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2011 | 00h00

ROMA

A procuradoria de Milão pediu ontem à Justiça o imediato indiciamento do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, acusado de abuso de poder e envolvimento em um caso de prostituição de uma menor de idade. Berlusconi reagiu ao anúncio convocando uma entrevista coletiva para dizer que o processo "é uma farsa" e provoca "asco e vergonha na Itália".

A partir de agora, a juíza Cristina de Censo terá cinco dias para tomar uma decisão sobre o caso. Se ela indiciar o premiê, Berlusconi vai a julgamento em cerca de dois meses e pode pegar até 15 anos de prisão. Caso Cristina recuse o indiciamento, a juíza pode devolver o caso à promotoria, sem levar o primeiro-ministro ao banco dos réus.

Berlusconi nega ter cometido qualquer tipo de crime. No final de semana, milhares de italianos foram às ruas contra o premiê.

A procuradoria acredita ter provas suficientes para que Berlusconi seja indiciado sem uma audiência preliminar. De acordo com as investigações, o premiê manteve relações sexuais com um "número significativo" de prostitutas, incluindo a marroquina Karima el-Mahroug, conhecida como "Ruby", quando ela ainda era menor de idade.

As investigações indicam ainda que o primeiro-ministro, de 74 anos, pressionou policiais para libertar Ruby, quando ela foi presa por roubo, no ano passado. Para soltá-la, Berlusconi teria afirmado que Ruby era sobrinha do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

O premiê nega todas as acusações. Ele diz que nunca pagou por sexo e alega que procuradores de esquerda o perseguem.

"A acusação é infundada", garantiu o primeiro-ministro diante de jornalistas no Palácio Chigi, em Roma. "Não existe, é risível." Segundo Berlusconi, a ação "viola a lei, porque vai contra o Parlamento". A procuradoria de Milão, completou o premiê, não tem "competência territorial nem funcional".

"Todas essas coisas me causam profundo desgosto, pois ofendem a dignidade do país e sujam de lama a Itália", disse Berlusconi. "A investigação tem uma finalidade subversiva e de desinformação midiática."

O escândalo ocorre após uma cisão na coalizão do premiê. No ano passado, o primeiro-ministro sobreviveu a um voto de confiança no Parlamento após o presidente da Câmara, Gianfranco Fini, romper com ele e fundar uma nova legenda. Uma pesquisa divulgada na segunda-feira pelo jornal Corriere della Sera indica que 34% dos italianos ainda defendem sua permanência no cargo. / REUTERS

Fúria do premiê

SILVIO BERLUSCONI

PRIMEIRO-MINISTRO DA ITÁLIA

"Esse processo é uma farsa e os procuradores de Milão provocam asco e vergonha à Itália"

"(O pedido de indiciamento) viola a lei, porque vai contra o Parlamento e porque a Procuradoria de Milão não tem nem competência territorial nem funcional (para o processo)"

"Não estou preocupado comigo. Sou um senhor rico que pode passar a vida construindo hospitais para as crianças"

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