Juíza retira acusação contra prisioneiro em Guantánamo

A juíza Susan J. Crawford, que supervisiona os julgamentos por terrorismo na base militar norte-americana de Guantánamo, retirou ontem as acusações contra Abd al-Rahim al-Nashiri, um suposto terrorista saudita da Al-Qaeda, acusado pelo ataque contra o navio USS Cole, em 2000. A decisão da magistrada ratifica a ordem do presidente Barack Obama de suspender os tribunais militares na prisão de Guantánamo. O acusado permanecerá detido.Os encargos contra al-Nashiri representavam o último caso em andamento por crimes de guerra nessa prisão, mantida na baía cubana de mesmo nome. Com a medida, Susan, a mais alta autoridade judicial para os julgamentos militares de Guantánamo, submete todos os casos à ordem executiva de 22 de janeiro de Obama, que ordenou a suspensão dos julgamentos por terrorismo na base militar.O porta-voz do Pentágono Geoff Morell disse que Susan retirou as acusações contra al-Nashiri sem entrar no mérito do processo. Isso significa que novas acusações podem ser apresentadas contra o suposto extremista no futuro."Essa foi a decisão dela, mas reflete o fato de que o presidente emitiu uma ordem executiva na qual manda que se interrompam as comissões militares, à espera do resultado de várias revisões de nossas operações em Guantánamo", afirmou ontem à noite Morell.A decisão também dá à Casa Branca tempo para revisar os casos dos 245 suspeitos de terrorismo mantidos na base militar e decidir se deveriam ser processados nos Estados Unidos ou entregues a outras nações.Encontro - Obama se reúne hoje com familiares das vítimas do Cole e dos ataques de 11 de Setembro, na Casa Branca. Os parentes manifestaram descontentamento com a decisão do presidente sobre os julgamentos militares.Dezessete marines norte-americanos morreram em 12 de outubro de 2000, quando terroristas da Al-Qaeda conduziram um bote carregado de explosivos contra o Cole, um navio militar que estava atracado em um porto do Iêmen. O Pentágono acusou al-Nashiri, um saudita, por "organizar e dirigir" o bombardeio e pediu a pena de morte para ele.

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