Lindsay DeDario/Reuters
Lindsay DeDario/Reuters

Juíza da Suprema Corte dos EUA retoma tratamento contra o câncer

Ícone da ala liberal da Suprema Corte, Ruth Bader Ginsburg anunciou hoje que está tratando desde maio um câncer que voltou

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2020 | 17h43

WASHINGTON - A juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos Ruth Bader Ginsburg, de 87 anos, anunciou nesta sexta-feira, 17, que houve uma recorrência de seu câncer, que ela está tratando com quimioterapia desde 19 de maio. Exames periódicos em fevereiro, seguidos de uma biópsia, revelarem lesões em seu fígado. 

"Sempre disse que continuaria sendo um membro do tribunal enquanto pudesse fazer meu trabalho a todo vapor", disse ela, em comunicado divulgado pela Suprema Corte. "Eu continuo plenamente capaz de fazer isso."

"A imunoterapia testada pela primeira vez não teve sucesso", disse ela. “O curso da quimioterapia, no entanto, está produzindo resultados positivos. Satisfeita com o tratamento agora, estou fornecendo essas informações.”

Ginsburg foi submetida a uma cirurgia para a retirada de um câncer no pulmão e depois a um tratamento de um câncer de pâncreas nos últimos anos. Ela também se submeteu a uma cirurgia para remover um câncer de pâncreas em estágio inicial em 2009 e tratou um câncer de intestino em 1999. 

A juíza é um membro sênior da ala liberal formada por quatro juízes da Suprema Corte. Se ela deixasse o tribunal, o presidente Donald Trump teria a oportunidade de indicar um terceiro nome que se somaria aos juízes Neil M. Gorsuch e Brett M. Kavanaugh. Se a indicação fosse bem-sucedida, quase certamente inclinaria o tribunal a uma linha mais conservadora, segundo análise do New York Times

Hoje ela informou que um exame em 7 de julho mostrou que as lesões no fígado foram significativamente reduzidas com o tratamento. "Estou tolerando bem a quimioterapia e me sinto encorajada pelo sucesso do meu atual tratamento", afirmou ela, no comunicado. 

"Vou continuar a quimioterapia quinzenalmente para manter meu câncer sob controle, e sou capaz de manter uma rotina diária ativa", disse ela. "Durante todo o processo, acompanhei a redação de opiniões e todos os outros trabalhos judiciais."

Em maio, a juíza Ginsburg passou por um procedimento na vesícula biliar e participou de discussões orais de seu quarto no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore. 

Na terça-feira, ela foi tratada para uma possível infecção no mesmo hospital após sentir calafrios e febre, e foi submetida a um procedimento endoscópico para limpar um stent que foi colocado em agosto passado. Ela recebeu alta na quarta-feira e estava "em casa e bem", segundo uma porta-voz da Suprema Corte. 

Se a juíza Ginsburg morresse ou deixasse o tribunal, há poucas dúvidas de que os republicanos do Senado tentariam confirmar um terceiro candidato indicado por Trump, mesmo nos últimos dias de seu primeiro mandato. "Nós preencheríamos (a vaga)", disse o senador Mitch McConnell, de Kentucky, líder da maioria, no ano passado.

Os republicanos do Senado adotaram uma abordagem diferente após a morte do juiz Antonin Scalia em 2016, recusando-se a considerar a indicação do juiz Merrick B. Garland no último ano do segundo mandato do presidente Barack Obama.

McConnell e seus aliados dizem que as duas situações são diferentes. Segundo ele, quando um partido controla o Senado e o outro, a presidência, como em 2016, as vagas não devem ser preenchidas em um ano de eleições presidenciais. Quando o mesmo partido controla o Senado e a presidência, argumentou, as confirmações podem prosseguir.

Os democratas dizem que essa é uma hipocrisia difícil que prejudica a legitimidade do tribunal. Mas o poder deles para interromper uma terceira indicação de Trump diminuiu após as mudanças nas regras do Senado sobre obstruções nas nomeações. Depois delas, basta uma votação de maioria simples para confirmar candidatos judiciais.

Durante o governo Obama, alguns liberais pediram à juíza Ginsburg para se aposentasse para que Obama pudesse nomear seu sucessor. Ela rejeitou o conselho.

"Acho que haverá outro presidente democrata", disse a juíza ao Washington Post em 2013. "Os democratas se saem bem nas eleições presidenciais; o problema são as eleições de meio de mandato."

Trump, cuja eleição provou que ela estava errada, criticou a juíza Ginsburg, dizendo em 2016 que "sua mente está abatida" e sugerindo que ela se aposentasse. Suas palavras afiadas vieram depois que Ginsburg criticou Trump em uma série de entrevistas.

Mais tarde, ela disse que cometeu um erro ao comentar publicamente um candidato e prometeu ser mais "cautelosa" no futuro.

Mais recentemente, ele exortou as juízes Ginsburg e Sonia Sotomayor (também da linha liberal) a se afastarem de todos os casos que o envolvem./NYT 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.