Juízes ameaçam segurança nacional, diz ministro de Bush

Ao questionar as decisões do presidente George W. Bush, juízes federais americanos ameaçam a segurança nacional, disse o procurador-geral dos EUA - cargo que equivale ao de ministro da Justiça -, John Ashcroft, que está demissionário. Ashcroft referiu-se especificamente à interpretação judicial das obrigações assumidas pelos EUA em tratados internacionais.Ashcroft denunciou uma "tendência profundamente perturbadora" entre alguns juízes, no sentido de interferir na autoridade do presidente para tomar decisões em tempo de guerra. "O perigo que vejo é que uma supervisão judicial intrusiva e a suposição de intenções ocultas nas determinações presidenciais podem pôr em risco a segurança de nossa nação em tempo de guerra", disse Ashcroft em discurso para a Sociedade Federalista, um grupo de advogados conservadores.O Departamento de Justiça anunciou nesta semana que tentará reverter a decisão do juiz distrital James Robertson no caso de Salim Ahmed Hamdan, que o governo diz ser motorista de Osama bin Laden. Robertson decidiu contra a avaliação do governo Bush, de que as Convenções de Genebra sobre direitos de prisioneiros de guerra não se aplicam a membros da Al-Qaeda, e mandou parar o julgamento militar de Hamdan, que ocorria na base de Guantánamo, em Cuba. Sem citar o juiz Robertson, Ashcroft criticou decisões judiciais que segundo ele apontam "amplos direitos individuais em tratados onde tais direitos nunca existiram" e que contrariam os poderes garantidos pela Constituição ao presidente em tempo de guerra. "Tribunais não podem executar a lei. Eles não prestam contas ao povo", disse.

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