Juízes ampliam investigação do caso Clearstream

Os juízes que investigam a publicação de denúncias falsas contra políticos e empresários franceses no caso que ficou conhecido como "Clearstream" ordenaram nesta sexta-feira a inspeção da residência de um ex-analista de sistemas do serviço secreto da França. O tribunal de Paris também iniciou a apuração do "vazamento de notícias" sobre o caso para jornais. Os juízes Jean-Marie D-Huy e Henri Pons passaram várias horas na casa de Imad Lahoud, um especialista em informática que trabalhou para a empresa aeroespacial EADS e para os serviços secretos franceses.A imprensa francesa identifica Lahoud como o especialista que manipulou e falsificou as listas da sociedade financeira Clearstream, que chegaram às mãos da Justiça com nomes de que políticos, empresários e agentes secretos. O Clearstream é um banco de Luxemburgo especializado em lavagem de dinheiro.O advogado de Lahoud, Olivier Pardo, declarou ao final da busca que "seu cliente não está detido nem processado" e acrescentou que "os juízes só levaram consoles de jogos". Enquanto isso, um tribunal parisiense abriu uma investigação para apurar a responsabilidade na publicação de notícias pela imprensa, que há duas semanas veiculam diferentes aspectos do caso e declarações de vários dos envolvidos. A iniciativa judicial se deve a uma ordem formulada na quinta-feira pelo ministro da Justiça, Pascal Clément, que se declarou "estupefato" pelo contínuo fluxo de informações sobre o Clearstream, que em sua visão violam o sigilo do caso. O Le Monde e os semanários Le Point e Le Canard Enchainé são os mais ativos na publicação de informações sobre o caso que gerou uma crise na política francesa, já que um dos homens que figurava nas listas falsas era o do ministro do Interior e presidenciável, Nicolas Sarkozy.Apoiada pelas declarações de um especialista dos serviços secretos, o general Philippe Rondot, a imprensa assinala que tanto o presidente Jacques Chirac, como o atual premier Dominique de Villepin, estavam cientes do caso e estimularam a investigação. Sarkozy é o principal concorrente de Villepin na corrida pela indicação do partido conservador União por Movimento Democrático (UMP) à presidência francesa.O Le Monde publicou nesta sexta-feira que Villepin pediu que general Rondot investigasse de maneira discreta a lista bancária.A jornalista Stéphane Denis assegurou hoje à emissora RTL que "nos últimos dias houve contato entre o general e a presidência da República", o que foi desmentido pelo Elíseo horas mais tardes.

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