Juízes italianos protestam contra falas de Berlusconi

A longa batalha entre o primeiro-ministro Silvio Berlusconi e o Judiciário da Itália ganhou hoje um novo capítulo. A principal associação de magistrados do país realizou protestos contra o mais recente ataque de Berlusconi a promotores e juízes. O primeiro-ministro tem um histórico de problemas legais envolvendo seus negócios como empresário em Milão, antes de entrar na política no meio dos anos 1990. Ele criticou na terça-feira o que considerou como a atuação de juízes e promotores "comunistas", querendo destruí-lo.

AE-AP, Agencia Estado

29 de outubro de 2009 | 12h17

A associação de magistrados qualificou os comentários como "infundados e ridículos" e ameaçou realizar uma greve. Juízes e promotores se reuniram para protestar em Milão, Roma e outras cidades. A acusação de que o Judiciário é dominado por comunistas não é nova vinda de Berlusconi. O mais novo ataque, porém, ocorre no momento em que cresce a tensão entre os poderes, pois o primeiro-ministro enfrenta dois julgamentos em Milão, após a Corte Constitucional retirar a imunidade de algumas autoridades neste mês.

"A verdadeira anomalia italiana não é Silvio Berlusconi", disse o primeiro-ministro na TV. "A anomalia italiana são os promotores e juízes comunistas em Milão que o atacam desde que Silvio Berlusconi entrou na política e tomou o poder dos comunistas."

Ele ainda brincou, dizendo que fica imaginando se "Berlusconi é mesmo o empresário mais criminoso da história". Um dos processos contra ele é por sonegação fiscal na compra de direitos de TV por seu empresa Mediaset. O caso deve ser retomado no mês que vem. O outro é por corrupção, quando Berlusconi teria ordenado em 1997 um pagamento de pelo menos US$ 600 mil a um advogado britânico, David Mills, em troca de um falso testemunho dele para proteger o italiano. Não há data para a retomada deste caso.

O primeiro-ministro alega inocência em todos os episódios. Em casos anteriores, ou ele foi inocentado ou as acusações prescreveram. Nesta semana, uma corte de apelações em Milão manteve a condenação de Mills por corrupção, decisão vista como uma derrota para Berlusconi.

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