Juízo nos EUA seria injusto, diz delator

Edward Snowden, que revelou programas de monitoramento americanos, afirmou em Hong Kong que decepção com Obama o fez agir

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2013 | 02h03

Edward Snowden, ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) que revelou os programas secretos de monitoramento de telefonemas e de e-mails do governo americano, disse ontem, durante um fórum virtual, que não espera ter um julgamento justo nos EUA.

Em uma sessão de perguntas e respostas com leitores no site do jornal britânico The Guardian, Snowden disse que sua decepção com o presidente Barack Obama fez com que ele tomasse a decisão de revelar o programa de monitoramento de dados telefônicos e da internet mantido com a colaboração de grandes empresas do setor.

Snowden, que era funcionário da empresa terceirizada Booz Allen Hamilton na unidade da NSA no Havaí, viajou para Hong Kong antes que os programas de vigilância se tornassem públicos e prometeu permanecer no território e lutar contra qualquer esforço para levá-lo de volta aos EUA.

Honra. "O governo americano, assim como fez com outros informantes, imediatamente e de maneira previsível, destruiu qualquer possibilidade de um julgamento justo, abertamente declarando-me culpado de traição. Isso não é justiça", disse Snowden.

As revelações levaram a uma investigação criminal. Autoridades americanas prometeram, na semana passada, responsabilizá-lo pela revelação de detalhes do programa de vigilância aos jornais Guardian e Washington Post.

Nos EUA, o caso provocou um debate sobre o equilíbrio adequado entre o direito à privacidade e a segurança nacional. Por isso, Snowden vem sendo chamado de traidor e de herói por suas ações.

Um dos últimos a dizer que Snowden era um traidor foi o ex-vice-presidente dos EUA Dick Cheney. Ontem, o ex-funcionário da NSA disse que isso significava "uma medalha de honra". "Ser chamado de traidor por Dick Cheney é a maior honra que se pode dar a um americano", afirmou.

De acordo com Snowden, ele teve o cuidado de não revelar nenhuma operação americana contra alvos militares. "Mostrei onde a NSA havia invadido computadores civis, de universidades, de hospitais e de negócios privados, porque isso é perigoso", disse.

"As promessas de campanha e a eleição de Obama me fizeram acreditar que ele nos levaria a corrigir esses problemas que ele havia destacado em sua busca por votos", declarou Snowden. "Muitos americanos sentiram-se assim. Infelizmente, logo depois de assumir o poder, Obama fechou a porta sobre a investigação de violações sistêmicas da lei, aprofundou e expandiu vários programas abusivos e se recusou a gastar o capital político para acabar com violações dos direitos humanos como as que vemos em Guantánamo, onde homens ainda estão ali sem serem acusados." / REUTERS, AP e NYT

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