Julgamento contra Berlusconi do caso Ruby seguirá correndo em Milão

Tribunal rejeitou pedido dos advogados de defesa para tranferência da sede do julgamento

Efe

18 de julho de 2011 | 08h52

Advogados queriam que julgamento do "caso Ruby" fosse tranferido para Monza

 

 

ROMA - O processo envolvendo o presidente do governo italiano, Silvio Berlusconi, o chamado caso Ruby, seguirá tramitando em Milão, depois de ser negado o pedido dos advogados do primeiro-ministro de transferir a sede.

 

Nesta segunda-feira, os juízes do Tribunal de Milão rejeitaram todas as alegações apresentadas pelos advogados de Berlusconi e declararam aberta a fase oral do julgamento, que começará em 3 de outubro.

 

Entre as alegações, os juízes desprezaram o pedido de incompetência territorial apresentado pelos advogados de Berlusconi, que queriam transferir o processo para Monza.

 

Neste julgamento, Berlusconi é acusado de abuso de poder e incitação à prostituição de menores.

 

Para os juízes, o delito mais grave de que é acusado é o de abuso de poder, cometido em Milão, quando Berlusconi ligou para uma delegacia pedindo para que libertassem a menor Ruby R., que estava detida por furto, sob a justificativa de que era sobrinha do então presidente egípcio Hosni Mubarak.

 

Os advogados do primeiro-ministro pretendiam que o julgamento fosse transferido para Monza, onde fica Arcore, localidade em que Berlusconi tem uma residência e local no qual supostamente cometeu o delito de incitação à prostituição de Ruby.

 

Tribunal de Ministros

 

Da mesma forma foi negada a solicitação de o caso passar ao Tribunal de Ministros, organismo judicial encarregado de decidir se pode ou não processar o presidente do governo e seus ministros.

 

Os advogados de Berlusconi sustentam que este caso seria de atribuição do Tribunal de Ministros, pois Berlusconi fez a ligação por "motivos institucionais", ao pensar que Ruby fosse sobrinha de Mubarak e evitar assim um conflito diplomático.

 

Há poucos dias, o Tribunal Constitucional italiano admitiu o recurso apresentado pela Câmara dos Deputados da Itália no qual colocava em conflito de competências o Tribunal de Milão ao afirmar que teria de ocupar-se dos casos do Tribunal de Ministros.

 

Os juízes de Milão receberam a decisão do Tribunal Constitucional, mas decidiram seguir com o processo até que este tome uma decisão, o que deve acontecer até o fim do ano.

 

Caso Mills

 

Berlusconi não compareceu nesta nova audiência e também não o fará na outra prevista para esta segunda-feira pelo caso Mills, no qual é julgado por corrupção de atos judiciais.

 

Um dos advogados de Berlusconi, Piero Longo, explicou que, embora em princípio estivesse previsto seu comparecimento, o primeiro-ministro não irá porque nesta segunda tem uma importante reunião com o presidente da República, Giorgio Napolitano, sobre o plano de ajuste aprovado pelo Governo na sexta-feira passada.

 

Neste julgamento, ele é acusado de pagar US$ 600 mil a seu ex-advogado, o britânico David Mills, em troca de que esse desse falso-testemunho em dois julgamentos no final dos anos 90, o que permitiu que o líder fosse absolvido.

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