Julgamento de ditadura da Etiópia já dura 9 anos

Passados nove anos do início do julgamento do ex-ditador Mengistu Haile Mariame de seu regime, os advogados de defesa finalmente começaram a apresentar seu caso contra as 209 acusações de crimes contra a humanidade. O julgamento por genocídio de Mengistu e 69 de seus principais assessores é um exemplo dos desafios envolvidos na utilização de um sistema de Justiça nacional para processar ex-ditadores em um país dilacerado por guerras.Enquanto o Iraque e os EUA debatem como e onde julgar Saddam Hussein, o processo que já foi chamado de ?Nuremberg Africano? mostra as dificuldades que cortes nacionais enfrentam ao lidar com esse tipo de caso. Embora não se saiba o número exato de pessoas mortas pelo regime marxista de Mengistu durante os expurgos de intelectuais e estudantes ocorridos nos anos 70, especialistas estimam o número de vítimas em 150.000.A Human Rights Watch se refere ao chamado Terror Vermelho como ?um dos mais sistemáticos usos do homicídio em massa já vistos na África?. Rebeldes liderados pelo atual primeiro-ministro, Meles Zenawi, tomaram o poder em 1991 e Mengistu, que estava no poder desde 1974, fugiu para o Zimbábue. O novo governo imediatamente passou a planejar o julgamento dos envolvidos no Terror Vermelho.Promotores decidiram julgar Mengistu e 32 outros líderes do regime à revelia; o governo capturou outros 37 suspeitos, que vêm comparecendo às cortes desde o início do processo, em dezembro de 1994. Mengistu nunca respondeu às acusações e não é representado por advogados no tribunal.

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