Julgamento de membros da Al-Qaeda é adiado na Turquia

O julgamento de 69 supostos membros de uma célula turca da rede extremista Al-Qaeda acusada de promover uma série de atentados suicidas em Istambul no ano passado teve início nesta segunda-feira. Entretanto, a corte rapidamente determinou que não dispõe de autoridade para julgar o caso, que terá de ser apresentado no futuro perante um novo tribunal.No início de maio, o Parlamento da Turquia aboliu cortes de segurança como a criada para o julgamento desse caso, mas a ordem demoraria cerca de um mês para entrar em vigor. A reforma foi aprovada como parte da iniciativa turca para entrar para a União Européia (UE).Advogados de defesa imediatamente questionaram a jurisdição da corte, alegando que ela não teria autoridade por causa das reformas e o caso deveria ser ouvido nos novos tribunais que as autoridades deverão criar nas próximas semanas.Em uma decisão por escrito, a corte determinou nesta segunda-feira que, devido à reforma no Poder Judiciário da Turquia, ela não dispõe mais de autoridade para julgar o caso. Entretanto, os 69 réus devem comparecer esta semana perante a corte para fins de procedimento. Apesar disso, o tribunal não colherá seus testemunhos.Nos próximos meses, as autoridades turcas deverão estabelecer novos tribunais para lidar com processos relacionados ao "terrorismo" e outros casos.Doze supostos membros da célula turca da Al-Qaeda compareceram hoje perante a corte. O julgamento de hoje seria o primeiro referente aos atentados de novembro de 2003 contra Istambul, nos quais morreram dezenas de pessoas e centenas ficaram feridas. Trata-se da primeira vez em que supostos membros da Al-Qaeda foram levados perante uma corte na Turquia, um país predominantemente muçulmano.Os 69 réus são acusados de conexão com os atentados contra duas sinagogas, a sede local de um banco e o Consulado da Grã-Bretanha em Istambul. Sessenta e uma pessoas morreram, inclusive o cônsul-geral britânico Roger Short. Mais de 600 ficaram feridas.

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