Julgamento de Saddam será retomado na terça-feira

O tribunal especial que julga o deposto presidente iraquiano Saddam Hussein e sete ex-colaboradores concluiu a audiência desta segunda-feira, e anunciou que retomará o julgamento na próxima terça-feira.O anúncio foi feito pelo presidente do tribunal, Rauf Abdelrahman, ao final da sessão, a 27ª desde a abertura do processo, em 19 de outubro passado.Na audiência desta segunda-feira, oito testemunhas discursaram a favor do ex-chefe do Tribunal Revolucionário do regime do ditador iraquiano, Awad Al Bandar.Saddam e seus colaboradores são acusados de envolvimento na execução de 148 xiitas em 1983, após passarem por um julgamento sumário no qual foram considerados culpados de participar de uma tentativa de assassinato contra o ex-ditador na localidade de Dujail, ao norte de Bagdá.Julgamento justoAs cinco testemunhas - entre eles um alto responsável do antigo partido governante Baath - concordaram que a condenação à morte adotada pelo Tribunal Revolucionário contra os 148 xiitas "foi justa e conforme a lei"."Al Bandar nunca processou ninguém a menos que tivesse um advogado, porque levava em conta o aspecto humanitário nos procedimentos (do julgamento)", disse a primeira testemunha, um advogado que depôs escondido atrás de uma cortina."Se o acusado não podia contratar um advogado para defendê-lo, o tribunal designava um", lembrou a testemunha.Al Bandar lembrou também que o julgamento contra os 148 xiitas foi justo, já que todos eles confessaram seu envolvimento na tentativa de assassinato de Saddam, mas reconheceu que só um advogado defendeu todos eles, e que o julgamento durou apenas 16 dias.A segunda testemunha foi um ex-agente das forças especiais, preso em 1982 porque teria insultado Saddam, e que disse que, quando compareceu ao Tribunal Revolucionário, Al Bandar designou um advogado para defendê-lo.A terceira testemunha, um ex-policial de Dujail, aproveitou seu comparecimento para saudar Saddam. "Bem-vindo Abu Uday" (que em árabe significa pai de Uday, em referência ao filho mais velho de Saddam), gritou o ex-agente de ordem no tribunal, o que levou o juiz a lembrá-lo que estava em um julgamento e não em reunião do Baath."Todos seus parentes e meus familiares, especialmente o da tribo Obeidat, enviam saudações ao senhor presidente", disse o ex-policial a Saddam, que respondeu sorridente: cumprimente todos eles e Obeidat por mim".

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