Eduardo Munoz Alvarez/AP
Eduardo Munoz Alvarez/AP

Julgamento de Steve Bannon por fraude é marcado para maio de 2021

Juíza responsável pelo caso observou que só algumas salas do edifício estão preparadas para lidar com os desafios técnicos criados pela pandemia do novo coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2020 | 19h15

NOVA YORK - Uma juíza dos Estados Unidos marcou nesta segunda-feira, 31, para maio de 2021 o julgamento de Steve Bannon, ex-consultor e mentor de Donald Trump, e três outros acusados de fraudar doadores com um suposto projeto para construir o muro prometido pelo presidente americano na fronteira com o México.

Procuradores federais acusaram Bannon, o veterano da Força Aérea americana Brian Kolfage e dois outros de orquestrarem um esquema para desviar centenas de milhares de dólares por meio de uma campanha de financiamento coletivo de US$ 25 milhões chamada We Build the Wall.

Bannon e Kolfage usaram centenas de milhares de dólares desse montante para cobrir despesas pessoais, de acordo com as acusações, que foram apresentadas em 20 de agosto.

Kolfage, Andrew Badolato e Timothy Shea se declararam inocentes em uma audiência virtual nesta segunda-feira. Eles receberam direito a fiança e entregarão os passaportes. Bannon, de 66 anos, declarou inocência no início deste mês.  

A juíza Analisa Torres, de Nova York, estabeleceu o dia 24 de maio de 2021 como data de julgamento do caso. Durante a audiência virtual, a juíza observou que só algumas salas do edifício estão preparadas para lidar com os desafios técnicos criados pela pandemia do novo coronavírus. “Serei otimista e torcerei para termos salas disponíveis”, disse.

Kolfage perdeu as duas pernas e a mão direita em um ataque de foguete no Iraque em 2004. 

Bannon, que foi um dos principais conselheiros da campanha presidencial de Trump e mais tarde estrategista-chefe da Casa Branca, ajudou a articular o populismo de direita e a oposição feroz à imigração que contribuíram para definir os três anos e meio de Trump no cargo.

'Caça às bruxas'

Torres alertou os réus e seus advogados a não fazerem comunicados públicos que poderiam prejudicar a imparcialidade dos jurados ou a legitimidade do julgamento, e disse que pode emitir uma “ordem especial” para restringir suas atividades. Os quatro réus disseram a Torres que entenderam.

Em um documento legal registrado na semana passada, procuradores pediram à juíza que alertasse Kolfage e os três outros réus a não fazerem “comunicados extrajudiciais” que poderiam influenciar o corpo de jurados, citando o que classificaram como um “fluxo contínuo” de “postagens (muitas vezes) altamente incendiárias” de Kolfage nas redes sociais.

Essas incluem descrições do caso como uma “caça às bruxas” e um esforço político visando apoiadores de Trump e doadores do We Build the Wall, de acordo com o documento legal. /REUTERS 

 

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