Julgamento ou exílio - dilema de refugiados na Basílica

O governo israelense ofereceu aos 245 palestinos refugiados na Basílica da Natividade em Belém, na Cisjordânia, que se rendam e escolham entre um tribunal militar ou um exílio permanente.Raanan Gissin, porta-voz do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, assegurou que a proposta foi apresentada ao secretário de Estado americano, Colin Powell, que a discutiu com o presidente palestino Yasser Arafat, na reunião que mantiveram na manhã deste domingo em Ramallah, na Cisjordânia.Até o momento não há resposta oficial dos palestinos, embora o consultor legal da Autoridade Nacional Palestina, o americano de origem palestina Salah-al-Taamari, tenha rejeitado o compromisso ao afirmar que "Israel não tem nenhum direito de impor um ultimato".Acrescentou que os refugiados, incluindo os homens armados, devem entregar-se às autoridades palestinas. O comandante das operações militares em Belém, o coronel Michel Aviv, afirmou, em entrevista à imprensa em Jerusalém, que as forças armadas israelenses "têm os meios e o tempo" e estão determinadas a obter a rendição daqueles que "têm as mãos sujas de sangue".O coronel Aviv, segundo o qual apenas entre 20% e 30% dos entrincheirados são terroristas, indicou que o exército obedecerá às ordens de seu governo. Ainda segundo o coronel, o exército tentou em várias ocasiões prestar ajuda aos religiosos que, segundo ele, são mantidos "reféns" pelos palestinos, mas não puderam fazê-lo porque os combatentes palestinos disparam contra os soldados.O comandante anunciou que neste domingo o exército está realizando uma "missão humanitária", distribuindo comida e medicamentos. Um dos monges superiores do convento franciscano anexo à basílica, onde estão cerca de 30 frades e freiras, confirmou que os soldados entregaram duas caixas com 20 garrafas de água, cinco ou seis de chocolate e outras tantas de "halaba" (um doce árabe), além de remédios.Trata-se da primeira ajuda recebida pelos religiosos desde que começou o cerco militar à igreja de Belém em 1º de abril, um dia depois da ocupação de Belém. O coronel também lamentou a escassa cooperação dos monges com as autoridades israelenses.Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL ORIENTE MÉDIO

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