Daniel LEAL-OLIVAS / AFP
Daniel LEAL-OLIVAS / AFP

Julian Assange é alvo de 17 novas denúncias nos EUA

Fundador do Wikileaks pode ser condenado a até 10 anos de prisão por cada uma das novas acusações

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2019 | 03h07

O departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira, 23, protocolou 17 novas denúncias contra o fundador do WikiLeaks, Julian Assange. A maioria das acusações é relacionada a leis contra a espionagem.

Os Estados Unidos responsabilizam Assange por ter colocado em risco algumas de suas fontes com a publicação, em 2010, de 750 mil documentos militares e diplomáticos. Washington também acusa o jornalista de "conspirar" com a ex-analista de informática americana Chelsea Manning, condenada em 2013 por vazar milhares de documentos oficiais do governo americano.

Segundo o comunicado da Justiça, Assange é suspeito de "ajudar a obter informação confidencial, ciente de que poderia ser utilizada em detrimento dos Estados Unidos e em benefício de uma nação estrangeira". Austrália e partidários do jornalista afirmam que ele não pode ser perseguido por publicar tais documentos, com base no princípio de liberdade de imprensa.

"O departamento leva a sério o papel dos jornalistas em nossa democracia, mas Julian Assange não é um jornalista", declarou o vice-secretário de Justiça, John Demers. "Nenhum jornalista responsável publicaria deliberadamente os nomes de fontes confidenciais em zonas de guerra sabendo que as colocaria em perigo".

O Wikileaks avaliou a decisão como "o fim do jornalismo sobre temas como segurança nacional e o fim da primeira emenda" da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão. As denúncias "representam uma ameaça direta à liberdade de imprensa e ao jornalismo investigativo", afirmou a Repórteres sem Fronteiras (RSF), enquanto a organização Freedom of the Press advertiu para "um grande perigo para os jornalistas".

Assange, que está preso na Grã-Bretanha, foi detido em 11 de abril na embaixada do Equador, em Londres, onde estava refugiado há sete anos, após um pedido de extradição dos Estados Unidos. As novas denúncias podem acarretar em até dez anos de prisão cada uma.

Este mês, a Suécia também reabriu o caso contra Assange por suspeita de estupro. / AFP

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