Juncker é eleito presidente da Comissão Europeia

O ex-primeiro-ministro de Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, foi eleito nesta terça-feira presidente da Comissão Europeia, braço executivo do bloco, pelos próximos cinco anos, depois de fazer uma série de promessas que inclui o congelamento da expansão do bloco por cinco anos e a promessa de "renda mínima garantida" em todos os países da UE.

Agência Estado

15 de julho de 2014 | 12h32

Juncker, que irá assumir o cargo em 1º de novembro, será o primeiro presidente da Comissão que fez campanha para obter o cargo durante as eleições para o Parlamento Europeu e que não foi apoiado por todos os líderes da UE. Os primeiros-ministros do Reino Unido, David Cameron, e da Hungria, Viktor Orban, se opuseram à nomeação de Juncker em uma cúpula da UE no mês passado, apesar de o bloco político de centro-direita de Juncker, o Partido Popular Europeu, ter conquistado a maioria dos votos nas eleições de maio.

"Você são o primeiro parlamento que está realmente elegendo um presidente de comissão, elegendo em todos os sentidos da palavra", disse Juncker aos legisladores, em Estrasburgo. Juncker recebeu 422 votos, enquanto 250 parlamentares votaram contra ele. Os restantes 57 votos foram brancos ou nulos, e 22 legisladores não votaram.

Ele se comprometeu a dar aos países-membros mais flexibilidade na diminuição de déficits orçamentários em momentos de turbulência econômica, mas salientou que as regras existentes sobre despesas do governo não serão mudadas. "Não podemos gastar dinheiro que não temos", afirmou. Disse ainda que buscará criar uma "capacidade fiscal" - ou poder centralizado de arrecadação de dinheiro - para a zona do euro, uma vez que a união monetária fixou regras mais rigorosas sobre coordenação das políticas econômicas nacionais.

Juncker afirmou que quer levantar 300 bilhões de euros a partir de fontes públicas e privadas para impulsionar o crescimento, incluindo investimentos em energia e infraestrutura digital, e concluir um acordo de livre comércio e investimento com os Estados Unidos. Mas fez concessões aos socialistas e ao Partido Verde ao prometer tornar públicos todos os documentos importantes relacionados com a negociação do acordo e garantir que os padrões de saúde, sociais e de privacidade europeus não serão diluídos. Ele também disse que não aceitará um procedimento de resolução de disputas entre investidores nesse acordo que limite a jurisdição dos tribunais da UE.

Em um aceno aos partidos de tendência mais à direita preocupados com a imigração de países pobres da UE, Juncker disse que nenhum novo membro será admitido no bloco durante o seu mandato de cinco anos. Seis países são atualmente candidatos a aderir à UE - Albânia, Islândia, Macedônia, Montenegro, Sérvia e Turquia -, embora não exista expectativa de que as negociações avançarão rapidamente. No entanto, Juncker disse que não aceitará qualquer erosão do direito à livre circulação de trabalhadores entre os Estados-membros já existentes. Fonte: Dow Jones Newswires.

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