Junta birmanesa elogia ajuda da ONU

A imprensa de Mianmar, controlada peloregime militar, elogiou na terça-feira a ONU pela ajudadispensada aos 2,4 milhões de afetados pelo ciclone Nargis, oque sugere uma tímida abertura do país ao mundo. O jornal New Light of Myanmar, editado em inglês, disse queas agências da Organização das Nações Unidas (ONU) "agiramprontamente" para enviar mantimentos após o ciclone de 2 demaio, que deixou 134 mil mortos e desaparecidos. A publicação, principal porta-voz dos generais, tambématenuou a versão do governo de que a fase de auxílio imediatoàs vítimas teria sido concluída. De acordo com a publicação,"as tarefas de resgate e reabilitação foram realizadas atécerto ponto". Também na terça-feira, a junta militar prendeu 20 pessoasque tentavam fazer uma passeata até a casa onde a líderoposicionista e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi cumpre prisãodomiciliar, segundo testemunhas e fontes da oposição. Expira na terça-feira mais um ano de prisão domiciliar deAung, que no entanto deve ser renovada. Três semanas depois do Nargis, que tinha ventos de até 120quilômetros por hora e provocou também um maremoto no delta dorio Irrawaddy, a ONU diz que menos de um terço dos afetadosrecebeu ajuda. Milhares de pedintes se aglomeram nas estradas, e criançasimploram esmolas dos carros que passam. Testemunhas dizem que muitas aldeias continuam sem auxílionenhum, e que os canais dessa zona rizicultora continuam cheiosde corpos de pessoas e animais, inchados ou já decompostos. Ocheiro de morte e as nuvens de moscas tomam conta de tudo. A junta militar, habitualmente arredia à presença deestrangeiros no país, demorou para autorizar uma operaçãointernacional de ajuda em grande escala. No domingo, houve uma conferência para doadoresestrangeiros em Yangon, e diplomatas presentes apontaramtímidos sinais de que os generais estão gradualmente deixandode lado seu orgulho e sua paranóia. "Posso notar que há uma sensação de urgência", disse emBangcoc Surin Pitsuwan, secretário-geral da Associação dasNações do Sudeste Asiático (Asean). "Uma sensação de apreço por que o mundo, afinal, não é tãohostil em algumas questões, particularmente questõeshumanitárias," disse Surin. (Reportagem adicional de Nopporn Wong-Anan em Bangcoc)

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