Junta da Mauritânia promete eleições; EUA suspendem ajuda

Os líderes golpistas da Mauritâniaprometeram na quinta-feira realizar eleições presidenciaislivres e transparentes assim que for possível, o que nãoimpediu os Estados Unidos de suspenderem ajuda financeira eexigirem a volta imediata ao regime civil. Sidi Mohamed Ould Cheikh Abdallahi, primeiro presidenteeleito na história do país, foi deposto na quarta-feira, depoisde tentar afastar comandantes militares que haviam seindisposto com o governo. É o primeiro golpe de Estado concretizado na África desdeque os mesmos militares depuseram um governo anterior, há trêsanos. Em todo mundo houve reações de apoio ao governo eleito daMauritânia, que é o mais novo produtor de petróleo docontinente. "Condenamos nos termos mais fortes possíveis a deposiçãopelos militares do governo democraticamente eleito daMauritânia, e no momento toda a assistência externanão-humanitária está suspensa e sob revisão", disse umporta-voz do Departamento de Estado, acrescentando que a ajudaem questão totaliza 20 milhões de dólares. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar um grupo queprotestava contra o golpe. Mas centenas de outras pessoastomaram as ruas da capital, Nuakchott, em apoio ao ex-chefe daguarda presidencial Mohamed Ould Abdel Aziz, que iniciou ogolpe depois de ser demitido. "Longa vida ao general!", gritavam os simpatizantes,buzinando seus carros e sob o olhar complacente de soldados doExército. Abdel Aziz instituiu um "Conselho Supremo do Estado",composto por oficiais de alta patente, para preparar junto comlíderes civis uma eleição presidencial "no prazo mais curtopossível". O conselho prometeu também respeitar todos os tratados queenvolvem a Mauritânia, um país na confluência do mundo árabecom a África negra, onde o Saara encontra o Atlântico. É um dospoucos países árabes que mantêm relações diplomáticas comIsrael. "Prometo respeitar a democracia, garantir a justiça paratodos e resolver problemas em todo o país", disse Abdel Aziz emsua primeira aparição pública desde o golpe. Eleito em 2007, Abdallahi enfrentou várias crises, e oaumento dos preços de alimentos e combustíveis abalaram aindamais seu governo. Ele havia demitido todo um ministério emmaio, e o gabinete seguinte renunciou em julho, diante daperspectiva de um voto de desconfiança. Na segunda-feira, a crise se agravou com a deserção degrande parte da bancada do partido governista PNDD-Adil, queacusava Abdallahi de não consultar os parlamentares e deenfraquecer as instituições.

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