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Junta de Mianmar caça opositores após críticas na internet

Milhares de médicos, estudantes e funcionários públicos saem às ruas de Yangun para protestar contra o regime

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2021 | 17h00

YANGUN - A junta militar que deu um golpe de Estado em Mianmar, no início do mês, está caçando sete apoiadores dos protestos contra o regime. Eles enfrentam acusações por comentários nas redes sociais que ameaçam a “estabilidade nacional”, segundo informou neste sábado, 13, o Exército.

Entre os perseguidos estão Min Ko Naing, que foi um dos principais ativistas pró-democracia durante as décadas em que vigorou uma ditadura militar em Mianmar. Também estão sendo procurados “Jimmy” Kyaw Min Yu, também um veterano do levante de 1988, o cantor Htwe Lin Ko, o analista Myo Yan Naung Thein, a apresentadora Maung Maung Aye, e o escritor Insein Aung Soe.

A junta que comanda o país também suspendeu leis de privacidade, com o objetivo de facilitar prisões. O anúncio coincidiu com o oitavo dia seguido de manifestações nas ruas. As leis de privacidade exigiam ordens judiciais para a detenção de pessoas por mais de 24 horas e para buscas em propriedades privadas e vigilância. “As seções 5, 7 e 8 da lei que protege a privacidade e segurança dos cidadãos estão suspensas”, afirmou um comunicado assinado pelo líder da junta militar, Min Aung Hlaing.

Em Yangun, milhares de médicos, estudantes e funcionários do setor privado marcharam no sábado, 13, por uma das principais avenidas da cidade.

Desobedecendo a proibição de se reunir, muitos usavam as cores da Liga Nacional para a Democracia (LND), o partido de Aung San Suu Kyi, que está detida há 12 dias. “Retornaremos ao trabalho somente quando o governo civil da ‘Mãe’ Suu Kyi for restabelecido. Pouco importam as ameaças”, afirmou Wai Yan Phyo, médico de 24 anos.

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No sábado, 13, moradores se uniram para patrulhar as ruas de Yangun durante a noite, temendo ataques , prisões e crimes comuns. Em diferentes bairros da cidade, grupos de jovens batiam panelas e frigideiras para soar o alarme quando se deparavam com alguém suspeito. 

Segundo Nada al-Nashif, vice comissária da ONU para os direitos humanos, mais de 350 pessoas, incluindo funcionários, ativistas e monges, foram presos em Mianmar desde o golpe. A jornalista Shwe Yee Win, que havia noticiado a oposição ao golpe na cidade de Pathein, foi levada pela polícia na quinta-feira, segundo seu site de notícias TimeAyeyar. / AFP e REUTERS

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