Junta egípcia diz que críticas de Hillary são ingerência externa

Chanceler do Egito reage a discurso da secretária de Estado, que condenou agressão a mulheres que protestam no país

CAIRO, O Estado de S.Paulo

22 de dezembro de 2011 | 03h04

As relações diplomáticas entre Cairo e Washington sofreram um abalo ontem. A junta militar que governa o Egito se irritou com as críticas da secretária Estado dos EUA, Hillary Clinton, à agressão a mulheres durante a repressão a protestos no país.

O chanceler Mohamed Kamel Amr disse que os comentários da chefe da diplomacia americana, feitos na segunda-feira, constituem uma ingerência em assuntos internos egípcios. "O Egito não aceita interferências externas", disse Amr à TV estatal. "Temas assim não são fáceis de digerir."

Em discurso, Hillary condenara a agressão de soldados a uma manifestante. "Essa degradação sistemática das mulheres no Egito desonra a revolução, envergonha o Estado, seus militares e não é digna desse grande povo", afirmou. EUA e Egito são aliados estratégicos no Oriente Médio. O Cairo recebe uma ajuda anual de US$1,3 bilhão de Washington.

O motivo dos comentários foram imagens gravadas por ativistas e publicadas na internet, que mostram uma mulher sendo agredida e arrastada, com o sutiã exposto. Na terça-feira, milhares de mulheres participaram de uma marcha no centro da capital egípcia contra a repressão policial.

O protesto, batizado de "Marcha de 1 Milhão de Mulheres", começou na Praça Tahrir e continuou pelas ruas próximas. Homens também participaram do evento. Muitos seguravam cartazes com imagens da manifestante sendo espancada por soldados.

As cenas de violência correram o mundo no fim de semana, deram novo impulso aos protestos e serviram para aproximar liberais e religiosos, as duas facções políticas civis do país, insatisfeitas com o governo militar. Uma nova marcha está marcada para amanhã.

Eleições. O segundo turno da penúltima etapa das eleições legislativas egípcias começou ontem em 9 das 27 províncias do país. A votação foi tranquila nas principais cidades egípcias após cinco dias de confrontos de rua. O processo eleitoral acaba hoje. Até agora, não houve incidentes graves.

Ao menos 18 milhões de eleitores estavam habilitados para escolher 59 deputados. O comparecimento foi baixo e havia poucas filas. A terceira e última fase da eleição está marcada para o começo de janeiro. / REUTERS e EFE

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