Ahmed Jadallah/Reuters
Ahmed Jadallah/Reuters

Junta faz alerta antes de eleições no Egito

Forças Armadas rejeitam manifestações civis pela renúncia do governo militar

LOURIVAL SANTANNA , ENVIADO ESPECIAL / CAIRO, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2011 | 03h04

CAIRO - Em meio a confrontos entre a polícia e manifestantes, que em uma semana deixaram 42 mortos e 2 mil feridos, a junta militar que governa o Egito disse que as Forças Armadas vão garantir a realização das eleições parlamentares, cuja primeira etapa ocorre entre esta segunda-feira, 28, e amanhã. Os manifestantes, que ocupam a Praça Tahrir, no Cairo, exigem a renúncia da junta e a instalação de um "governo de salvação" civil, sem a tutela militar.

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"Estamos em uma encruzilhada", disse ontem o chefe da junta militar, marechal Mohamed Hussein Tantawi, que foi ministro da Defesa do ex-ditador Hosni Mubarak durante duas décadas. "Há apenas dois caminhos, o sucesso das eleições, levando o Egito em direção à segurança, ou encarar perigosos obstáculos, que nós, das Forças Armadas, como parte do povo egípcio, não permitiremos."

A junta militar assumiu o comando do país em fevereiro, depois que protestos como os que ocorrem agora derrubaram Mubarak, no poder havia 30 anos.

"A nação é maior do que o marechal Tantawi e o Conselho Supremo das Forças Armadas", reagiu Abdel Moneim Abul Futuh, líder islâmico radical que aspira concorrer à eleição presidencial, que deve ocorrer até o fim de junho. "Um governo com liderança revolucionária deve ser formado para atender às reivindicações da Praça Tahrir."

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Longe da praça, no entanto, uma maioria silenciosa de egípcios demonstra o desejo de participar das eleições, que transcorrerão em várias etapas até março, independentemente de suas posições políticas.

A farmacêutica Hana Essawi, por exemplo, vai votar no Partido Liberdade e Justiça, da Irmandade Muçulmana. "Acho que eles têm um programa muito bom e independente. Não os escolhi por motivos religiosos, mas políticos mesmo. Acredito que eles vão me representar no Parlamento", afirma.

Hana diz ainda que as manifestações estão de acordo com a lei. "As pessoas estão lutando pelos seus direitos. É normal se manifestar contra o regime." Ela acredita que as eleições de hoje serão justas.

O contador Mohamed Abdel-Rab Ennaby, de 28 anos, discorda que as eleições serão limpas. Mesmo assim, ele diz que vai votar, embora não soubesse ainda em quem. "Não apoio partidos religiosos", afirma. "Para mim o mais importante é encontrar alguém que salve o país."

Ennaby concorda que as manifestações estão de acordo com a lei, mas ressalva: "Não gosto quando elas se tornam batalhas entre civis e a polícia. Acho que há uma terceira força buscando esses conflitos."

Amr Hassan, de 36 anos, dono de uma mercearia, também vai votar no Partido Liberdade e Justiça. "Eles sofreram muito sob o regime anterior de Mubarak", explica Hassan: "São médicos, professores universitários, engenheiros. Acredito no programa deles."

O comerciante confia que a eleição será justa. "Mas tenho medo que os conflitos levem ao cancelamento da eleição. Não estou de acordo com as manifestações. Elas criam divisões entre o povo."

O vendedor de frutas Ibrahim Ahmed, de 40 anos, vai votar no Partido da Liberdade do Egito, de orientação secular. "Espero que eles possam salvar o país", diz Ahmed, que não está de acordo com as manifestações: "Acho que os militares podem garantir a transição para a democracia".

Nama Hessin, funcionária da Justiça, de 50 anos, também vai votar no Partido da Liberdade do Egito. Ela acredita que as eleições serão justas e não concorda com as manifestações. "Acho que elas prejudicam o país. Isso acabou", afirma.

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