Junta julga-se ''''guardiã'''' da unidade do país

Ditador teria intenção de restaurar monarquia e assumir o trono birmanês

AP, O Estadao de S.Paulo

28 de setembro de 2007 | 00h00

Os governantes militares de Mianmá justificam suas ações com a alegação de que mantêm unificada uma nação dividida e a evitam a anarquia que poderia vir dos muitos grupos étnicos rivais. Os membros da junta que hoje governa o país ascenderam na hierarquia militar numa época em que Mianmá estava sob o domínio do ditador Ne Win, entre 1962 e 1988. A versão excêntrica de socialismo de Ne Win admitia turistas relutantemente em visitas limitadas a uma semana e recusava todos os investimentos externos.A ruinosa gestão de Ne Win destruiu aquela economia e os poucos recursos restantes foram aplicados na batalha contra grupos étnicos minoritários que buscam autonomia, conflitos que ainda ditam o tom para violações de direitos humanos. Ne Win foi deposto após a repressão de manifestações pró-democracia de 1988. Em seu lugar, instalou-se um regime militar indireto, com uma nova junta.O homem considerado líder da junta é o general Than Shwe. Como muitos habitantes de Mianmá, Shwe é supersticioso e costuma consultar astrólogos. Mas também tem uma imagem austera e misteriosa.Segundo rumores que circulam na comunidade de birmaneses no exílio na Tailândia, Shwe já teria enviado toda a família dele para Bangcoc, para o caso de a espiral de protestos sair do controle.Alguns analistas políticos especulam que Shwe e seus camaradas da junta mudaram a capital do país de Rangum para Naypyidaw, em 2005, como parte de uma transição política ao fim do qual se restabeleceria a monarquia. E Shwe, de 74 anos, ascenderia ao trono.A imagem de austeridade sofreu um duro golpe no ano passado, quando se tornou público vídeo da sofisticada festa de casamento de sua filha - levantando questionamentos sobre o estilo de vida dos ditadores de um país pobre. O vídeo mostra Thandar Shwe usando uma deslumbrante coleção de jóias e recebendo presentes no valor total de US$ 50 milhões.O ''''número 2'''' da junta é o general Maung Aye, de 69 anos, cuja reputação é a de ser ainda mais implacável do que Shwe. Circulam histórias que os dois líderes são mais rivais do que amigos. Uma das poucas coisas que têm em comum é o ódio à ativista pró-democracia e Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, há anos em prisão domiciliar.

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