Junta Militar abre as portas do país a voluntários

O anúncio foi feito após reunião com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon

EFE

23 de maio de 2008 | 05h52

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convenceu nesta sexta-feira a Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) a aceitar a entrada no país de voluntários estrangeiros para prestar socorro às vítimas do ciclone "Nargis". Ban indicou que o chefe da Junta Militar birmanesa, o general Than Shwe, com quem se reuniu em Naypyidaw, "aceitou admitir todos os voluntários" no país. O secretário-geral da ONU começou na quinta-feira uma visita de dois dias a Mianmar para impulsionar a ajuda humanitária internacional aos cerca de 2,5 milhões de pessoas desabrigadas pelo ciclone "Nargis", que arrasou o sul do país entre 2 e 3 de maio. Até agora, as autoridades birmanesas rejeitavam a presença de voluntários estrangeiros no país, particularmente os das agências da ONU, a União Européia (UE) e outros países como os Estados Unidos, Austrália e Canadá, enquanto permitiam a entrada de missões de Governos mais próximos ao regime, como o chinês e o tailandês. A reunião entre o "número um" do regime birmanês e o secretário-geral das Nações Unidas começou às 10h30 (1h de Brasília), e em seguida os dois posaram para a imprensa.  Ban, que na quinta-feira sobrevoou algumas das áreas do delta do rio Irrawaddy devastadas pelo ciclone, e percorreu um dos campos que acolhem famílias que perderam seu lares, é o primeiro dignatário a viajar à fortaleza do regime militar. O general Than Shwe viajou no fim de semana passado à região devastada para visitar desabrigados, acompanhado do primeiro-ministro, o general Thein Sein, que supervisiona a assistência. O ciclone "Nargis", que atravessou o sul do país na madrugada de 3 de maio, deixou 77.738 mortos, e 55.917 pessoas continuam desaparecidas. A Junta Militar, que sempre suspeitou das intenções da ONU e das potências ocidentais, se negou a aceitar a ajuda internacional, e impede a entrada dos voluntários estrangeiros que se ofereceram para atender os sobreviventes, que se enfrentam a falta de alimentos e de água e que estão ameaçados por doenças.

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