Junta Militar blinda Yangun contra protestos durante plebiscito

Desde o começo da manhã, milhares de policiais e soldados ocupam as ruas da antiga capital

EFE

24 de maio de 2008 | 01h57

As forças de segurança de Mianmar (antiga Birmânia) tomaram as ruas de Yangun para impedir neste sábado atos de protesto durante a votação do plebiscito constitucional auspiciado pela Junta Militar. Desde o começo da manhã, milhares de policiais e soldados ocupam as ruas da antiga capital, onde acontece a maior mobilização de tropas desde as manifestações a favor da democracia de setembro do ano passado. Armados com cassetetes, escudos e gás lacrimogêneo, os agentes antidistúrbios controlam especialmente os locais onde monges, estudantes e outros ativistas poderiam organizar pequenas manifestações de rejeição ao regime. Há oito meses, as forças de segurança birmanesas usaram a violência para reprimir os protestos liderados pelos monges, que dificilmente voltarão a se manifestar, segundo os moradores de Yangun. "Ele passaram a ter muito medo desde o que aconteceu em setembro", explicou o abade de um mosteiro nos arredores da antiga capital birmanesa. Nas últimas 24 horas, o serviço de telefone passou a funcionar algumas poucas vezes e a velocidade de acesso à internet foi reduzida para controlar ainda mais as comunicações dos dissidentes políticos. A presença policial também é muito grande na sede do principal partido opositor, a Liga Nacional pela Democracia (LND), e na residência de sua líder, a Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que sexta-feira depositou seu voto em sua casa de Yangun, onde cumpre prisão domiciliar desde junho de 2003. Os moradores de Yangun e de outros 48 municípios das zonas devastadas pelo ciclone "Nargis" votam o projeto constitucional da Junta Militar, duas semanas depois de o plebiscito acontecer na metade norte do país, que ficou a salvo da catástrofe. As regiões de Mianmar que não foram castigadas pelo ciclone votaram no dia 10 de maio. A minuta constitucional foi aprovada na primeira fase do plebiscito com 92,4% dos votos válidos, segundo anunciou a Junta Militar no dia 15 de maio. A oposição afirma que estes resultados foram manipulados pela Junta Militar, cujas forças de segurança há semanas intimidam ou detêm todas as pessoas que se pronunciam publicamente contra a Constituição.

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