Junta militar de Mianmá liberta grupo de monges

Regime diminui toque de recolher no país e solta 80 sacerdotes; Japão ameaça governo com sanções

Agências internacionais,

03 de outubro de 2007 | 08h43

A junta militar de Mianmá libertou 80 monges e 149 mulheres, provavelmente freiras, detidos na semana passada, durante a repressão aos maiores protestos antigoverno no país em quase 20 anos. A informação foi dada nesta quarta-feira, 3, por um dos libertados e por parentes.  Veja também:Entenda a crise e o protesto dos monges Dissidentes cibernéticos driblam censura  População apóia protesto dos monges  Depois de mais um dia de calma nas ruas das principais cidades do país, o governo anunciou na terça-feira uma redução de duas horas no toque de recolher - que antes era de 21 horas às 5 horas, agora vai de 22 horas às 4 horas.  A diminuição é interpretada como um sinal de que os generais estão confiantes de que a onda de protestos acabou.O nigeriano Ibrahim Gambari, enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) a Mianmá deixou o país sem dar entrevistas. Assim, não se sabe o que foi discutido com os militares e nem se ele conseguiu costurar algum acordo entre Than Shwe, chefe da junta militar que governa o país, e com Aung San Suu Kyi, líder da oposição. Um parente de três mulheres soltas disse que os interrogados na detenção foram divididos em quatro categorias: aqueles que apenas passavam por manifestações, os que assistiam, os que aplaudiam e os que participavam. O monge, temeroso de fornecer mais detalhes sobre sua identidade, disse que ele e 79 colegas foram mandados de volta a seu monastério em Rangun, pouco depois da meia-noite. Segundo ele, outros 16 monges presos durante uma batida no templo devem ser libertados em breve. Ele contou ainda que ficou retido em um ex-instituto técnico do governo no norte de Rangun e foi sujeito a abusos verbais e não físicos. Sanções Japonesas O primeiro-ministro japonês, Masahiko Komura, disse nesta quarta-feira que seu governo, o maior fornecedor de recursos para o governo birmanês, considera a possibilidade de cortar a ajuda ao país, informou a agência de notícias Kyodo.  Komura disse que a medida seria um protesto contra a morte de um jornalista japonês durante os ataques de militares contra manifestantes nas ruas de Yangon na semana passada.  Autoridades de Mianmá libertaram também nesta quarta um jornalista que cobria o conflito no país seis dias após a sua detenção. Segundo os militares, o profissional havia sido preso para interrogatório. Um enviado japonês esteve em Mianmá nesta semana para protestar contra a morte de Kenji Nagai e exigir que o governo militar do país ponha fim à repressão às manifestações pacíficas.  O Japão é o maior provedor de ajuda a Mianmá. Seu governo suspendeu empréstimos para grandes projetos após os violentos confrontos em 1988. Desde então, os recursos são enviados para programas direcionados principalmente para saúde, educação e projetos humanitários.

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