Lynn Bo Bo/EFE/EPA
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Junta militar de Mianmar liberta 2.296 pessoas presas após o golpe

Maioria havia sido acusada de 'incitar a desordem pública'; seis jornalistas que cobriam protestos fazem parte do grupo

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2021 | 23h14

NAIPIDAL - A junta militar de Mianmar libertou um total de 2.296 pessoas que haviam sido presas no país por se oporem ao golpe de 1º de fevereiro, informou a imprensa oficial nesta quinta-feira, 30 (horário local, noite de quarta-feira no Brasil).

A grande maioria dos presos foi acusada de "incitar a desordem pública" em rejeição ao levante militar que encerrou abruptamente a jovem e incipiente democracia no país.

As autoridades militares especificaram que todas as acusações contra os libertados foram retiradas, informou hoje o jornal The Global New Light of Myanmar, agora controlado pelo Exército.

O porta-voz do conselho, Zaw Min Tun, disse ao jornal The Irrawaddy que os libertados "faziam parte dos protestos, mas não desempenhavam um papel de liderança. Eles também não participavam de atos violentos".

Entre os libertados, 721 deles em Rangoon, estão seis jornalistas presos pela cobertura de protestos contra o regime.

Os meios de comunicação, que continuam a verificar a lista dos libertados, afirmam que nenhum protagonista do movimento deixou a prisão.

"A libertação pretende fingir um abrandamento da repressão exercida pela junta militar. Nada mais longe da verdade: a junta pretende prender e torturar mais civis", disse a Associação para a Assistência a Presos Políticos (AAPP) do país em um comunicado.

Esta é a segunda libertação desde o levante militar. De 1º de fevereiro até esta quarta-feira, as forças de segurança detiveram 6.421 pessoas, das quais 5.554 ainda estavam na prisão, e emitiram mandados de prisão contra 1.988, segundo os últimos dados da AAPP.

Como resultado da repressão brutal promovida pelas forças de segurança, que atiraram para matar manifestantes pacíficos, pelo menos 883 pessoas perderam a vida, diz a AAPP.

Esta quinta-feira marca o quinto mês do golpe militar, mas o Exército não conseguiu controlar todo o país e os protestos continuam em várias regiões. Alguns dos manifestantes decidiram pegar em armas contra os militares.

O Exército usa uma suposta fraude eleitoral nas eleições de novembro passado para justificar o golpe. A Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, junto com outros líderes do governo deposto, permnaece detida. /EFE

 

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